‘Bexiga caída’ atinge 40% das mulheres acima dos 60

Tratamento é feito com colocação cirúrgica de tela de sustentação

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Incômodo. Dona Geralda não podia espirrar que a bexiga descia, causando grande desconforto
DENILTON DIAS / O TEMPO
Incômodo. Dona Geralda não podia espirrar que a bexiga descia, causando grande desconforto

Os mais antigos falam em “bexiga caída”. Já os médicos usam o termo “prolapso genital”. Independentemente do nome,trata-se de um problema de saúde que, de acordo com a Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, atinge 40% nas mulheres acima dos 60 anos e 2% das mais jovens.  

O prolapso acontece quando a Musculatura do Assoalho Pélvico (MAP), responsável por sustentar os órgãos genitais femininos, perde o tônus e não consegue mais segurar os órgãos. “Imagine a MAP como uma rede com três orifícios (o canal urinal, a vagina e o ânus). Como ela tem três furos, a chance de ela afrouxar é maior. E tudo que você colocar em cima dessa rede furada, vai ter maior chance de ‘vazar’ para baixo”, explica a ginecologista Rachel Silviano Brandão, membro da Uromater – serviço especializado em assoalho pélvico do Hospital Mater Dei. Com a frouxidão desse tecido, bexiga, útero, ovários reto e uretra são projetados para fora pela vagina.

Os impactos na vida de quem sofre do prolapso são grandes. “A paciente costuma se queixar que tem uma bola saindo da vagina, ela sente uma pressão, um incômodo”, diz a ginecologista Marilene Vale de Castro Monteiro, professora da Faculdade de Medicina da UFMG.

As principais causas do problema, segundo ela, são uma fragilidade da estrutura muscular do períneo (região entre a vagina e o ânus), grandes esforços físicos que gerem pressão sobre o períneo – levantar pesos, por exemplo –, partos traumatizantes (feitos com instrumentos, ou partos de crianças muito grandes) e a obesidade, pois o excesso de peso empurra as estruturas internas do corpo para baixo.

Tratamento. A principal forma de cuidar do prolapso é a cirurgia. Nos casos em que a paciente já sente a bola na vagina, e o rompimento da musculatura foi muito grande, coloca-se uma tela de polipropileno macroporoso para dar suporte à MAP e sustentar os órgãos em seus devidos lugares.

Atualmente, a evolução dos materiais e das técnicas cirúrgicas permitem um procedimento relativamente simples. “É tudo feito por via vaginal, sem pontos para o lado de fora da pele. A paciente dorme só de um dia para o outro no hospital”, afirma a médica Rachel. Depois, são recomendados 30 dias de repouso e 90 sem pegar pesos.

Em casos mais leves do prolapso, o tratamento pode ser feito com fisioterapia. “Ensina-se a paciente a contrair e relaxar esse músculo. Isso vai fortalecê-lo. Esse músculo hipertrofiado, muitas vezes, compensa a fraqueza das partes rompidas”, explica Rachel.

Prevenção. Um dos fatores mais decisivos para o surgimento do prolapso genital é a propensão genética. “Evitar que a paciente tenha o problema é extremamente difícil em mulheres que têm tendência. Se a mãe dela teve prolapso, a tia teve, é provável que ela tenha. Mas podemos fazer um tratamento e um controle sobre isso”, afirma a médica Andréia Deus, ginecologista do Hospital Escola da PUC São Paulo, em Sorocaba.

As duas principais dicas para controlar e evitar o problema são não levantar pesos com frequência e praticar exercícios físicos que fortaleçam a musculatura pélvica. “Todas as atividades físicas sem impacto trazem um benefício. Por exemplo, a ioga, qualquer tipo de alongamento, exercícios na água e o Pilates, porque têm um trabalho muscular sem impacto”, ensina a médica.

Debate

Evento. O problema de saúde foi discutido no “Simpósio sobre Prolapso Genital”, realizado pela Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, em dezembro, na Associação Médica de Minas Gerais.

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