"É o encerramento de um ciclo", diz Paim ao deixar Educação

Ele deixa o cargo pouco menos de um ano após assumir a função e será substituído por Cid Gomes (Pros), ex-governador do Ceará

iG Minas Gerais | Folhapress |

Em um discurso emocionado, Henrique Paim afirmou que sua saída do Ministério da Educação representa um "encerramento de um ciclo", não apenas de sua trajetória - foram 11 anos na pasta, oito deles como secretário-executivo - mas da educação nacional.

Ele deixa o cargo pouco menos de um ano após assumir a função e será substituído por Cid Gomes (Pros), ex-governador do Ceará.

Paim destacou que nos últimos governos houve um importante processo de "democratização e redução das desigualdades educacionais". "Como diria Anísio Teixeira, educação não é privilégio, é para todos", afirmou.

O petista apontou ainda a lei de cotas nas federais como "a política mais importante que esse governo fez". "Conseguimos inverter uma lógica de que somente alunos de escolas privadas - e poucos de escolas públicas - tivessem acesso às federais", afirmou, sendo aplaudido em seguida. Ele agradeceu ao ex-presidente Lula, a presidente Dilma, e os ministros que o antecederam - Tarso Genro, Fernando Haddad e Aloizio Mercadante.

Paim adotou tom elogioso ao falar do sucessor: "Tenho uma admiração muito grande pelo trabalho dele à frente do governo do Ceará."

Em tom bem humorado, destacou a parceria entre o governo federal e o Estado do Nordeste. "Sempre dizia que pela parceria que tínhamos com o Ceará era o Ministério da Educação e do Ceará", afirmou.

"Acredito que ele será um grande ministro da educação", concluiu. 

Em primeiro discurso, Cid promete "valorizar" professor

Em seu primeiro discurso como ministro da Educação, Cid Gomes (Pros) afirmou que sua gestão estará aberta ao diálogo com os docentes e disse que sua experiência política permitiu conhecer "as necessidades do corpo docente".

O novo titular da pasta, cujo orçamento é um dos maiores da Esplanada, já enfrentou rusgas com a categoria no passado, quando era governador do Ceará.

"Gostaria agora de me dirigir a todos os professores brasileiros: sou filho e irmão de professores. Fui também professor. (...) Pretendo me reunir com seus representantes, convidando-os para contribuir ainda mais para as políticas nacionais. Meu gabinete estará sempre aberto para receber conselhos, criticas e ajuda", afirmou.

Cid destacou a relevância da pasta diante do lema do próximo mandado da presidente Dilma, "Brasil, Pátria educadora" e afirmou que, após os governos petistas se empenharem na erradicação da miséria, o "novo desafio" agora é o da "inclusão pelo saber".

"Somente através da educação é possível superar esse quadro injusto, que oprime e inviabiliza o sonho de milhões de pessoas", afirmou.

Como metas em sua gestão, Cid Gomes apontou a ampliação do acesso a creches, a universalização do acesso à pré-escola de crianças de 4 e 5 anos e o desenvolvimento do pacto pela alfabetização na da idade certa.

Ensino Médio

A reforma do currículo do ensino médio, considerado o principal gargalo da educação brasileira, também foi citada. "No ensino médio, temos um desafio especial, de reformar seu currículo, compreendendo características regionais de cada Estado e município brasileiro.

O evento de transmissão de cargo foi concorrido: diversos ministros participaram da solenidade, como Arthur Chioro (Saúde), Nelson Barbosa (Planejamento), Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Ideli Salvatti (Direitos Humanos).

A cerimônia foi acompanhada por alguns deputados do Pros, partido de Cid - principalmente aqueles do Estado do Ceará. O deputado Hugo Leal (Pros-RJ) minimizou a baixa presença: "Pela dimensão que a presidente Dilma deu [à educação], não dá para ficar nessa pequenez de cargo." Cid agradeceu a "confiança" dada pela presidente Dilma Rousseff e prometeu "viajar todas as regiões" para conhecer experiências bem sucedidas em educação.

"Quero contribuir para que as próximas gerações encontrem escolas e universidades melhores, professores valorizados e mais felizes e uma educação de qualidade", concluiu. 

Leia tudo sobre: trocaministérioeducação