Para resolver sozinha

iG Minas Gerais |

A presidente Dilma Rousseff já demonstrou que, neste segundo mandato, o compromisso maior será com a sua administração. Em outras palavras, as questões mais partidárias não terão o mesmo peso que tiveram no primeiro mandato. Motivos para se preocupar mais com a sua gestão não faltam. As investigações sobre irregularidades na Petrobras se aproximam, cada vez mais, do núcleo central do governo e causam desgastes ainda difíceis de ser mensurados. A situação econômica também não é boa. A inflação apresenta tendência de crescimento, as contas do governo andam mal a ponto de serem necessárias manobras fiscais, e os programas sociais, considerados intocáveis, continuam consumindo boa parte do Orçamento. Assim, a popularidade da presidente não anda em alta. Na tentativa de conseguir fazer uma administração boa, a petista parece ter optado por se desligar de tudo e todos que possam lhe parecer obstáculos. A decisão, certamente, envolve o não atendimento de algumas das demandas de seu próprio partido, o PT, e de seu principal aliado, o PMDB. Na escolha de seus ministros, ambos os partidos perderam espaço. Até mesmo alguns pedidos do ex-presidente Lula foram deixados na gaveta, pelo menos por enquanto. A opção por uma política econômica ortodoxa, que não é nada popular, evidencia a preocupação em cumprir as metas fiscais e controlar a inflação ainda que com algum sacrifício. A equipe econômica tem o perfil que ela deseja para cumprir a árdua tarefa. A escolha dos ministros pode até não agradar ao PT, mas vai dar a Dilma alguma tranquilidade em relação ao controle inflacionário. A posição que a presidente tem adotado em relação ao caso Petrobras também evidencia uma independência em relação aos partidos e suas lideranças. Ainda ontem, em seu discurso de posse, Dilma falou em predadores internos e externos, o que, certamente, deixou algumas lideranças aliadas de cabelo em pé. A presidente não tem mais direito à reeleição e talvez nem tenha mais nenhuma pretensão política. Portanto, quem tem que estar preocupado com a satisfação dos partidos são o PT e Lula. A única preocupação da presidente no que diz respeito à política é a governabilidade em momento de crise. Para isso, ela conta com alguns apoiadores fiéis, como Aloizio Mercadante. Mas a petista ainda tem mais um trunfo em mãos. Os governadores, que também precisam garantir governabilidade, deverão se juntar à presidente para assegurar respaldo a eventuais medidas impopulares. O governador de Minas, Fernando Pimentel, sem dúvida, está na lista dos amigos que vão ajudar a presidente a fazer o que preciso for para governar. A colunista entra em férias e volta a escrever neste espaço em 5 de fevereiro

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave