Happy hour que dura o mês inteiro

Festival no Campo das Vertentes reúne 32 bares em competição gastronômica e programação cultural

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Mineiro. Papilotes de couve criados pelo restaurante Manioca Arte e Culinária, de Sao João del Rey, para competição do ano
Aline Margotti
Mineiro. Papilotes de couve criados pelo restaurante Manioca Arte e Culinária, de Sao João del Rey, para competição do ano

Se dezembro é a sexta-feira do ano, o período de tempo entre janeiro e o Carnaval pode ser considerado – para os mais sortudos – um grande fim de semana. De olho nessa predisposição – criada pelo calor – a beber, comer e relaxar, o Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour foi criado em São João del Rey em 2010 e chega à sua terceira edição, a partir de hoje, indo até o dia 1º de fevereiro.

“Havia a necessidade de um evento do gênero na região. Fizemos um projeto que busca valorizar os pratos da casa e criar um desafio para que os estabelecimentos idealizem outros novos, com ingredientes mineiros”, explica o coordenador Adriano Margotti.

O festival começa hoje às 20h na “Praça Happy Hour” – estrutura com barraquinhas dos bares e espaço para show, montada neste ano no largo da igreja Nossa Senhora do Carmo, no centro histórico da cidade. “Nos anos anteriores, montamos a estrutura na avenida Tancredo Neves, mas quisemos agora destacar o aspecto histórico da cidade, levando o evento para o largo, que é uma praça barroca, bonita”, justifica Margotti. A abertura contará com a Escola de Samba Irmãos Metralhas, que já ensaia ali tradicionalmente – e que voltará a se apresentar no locali nos dias 29, 30 e 31 de janeiro, quando a praça Happy Hour será reativada para o encerramento do evento.

Entre essas datas, porém, 32 bares de nove cidades da região do Campo das Vertentes – São João, Barroso, Carrancas, Dores de Campos, Lavras, Prado, Resende Costa, São Tiago e Tiradentes – receberão um público esperado de 60 mil pessoas. “No ano passado, tivemos 41 estabelecimentos. Mas fizemos uma filtrada porque aquele bar que quer participar só por participar não nos interessa. Buscamos aqueles que desejam melhorar e chegar a um nível cada vez melhor de atendimento”, conta o coordenador.

Os 32 selecionados oferecem seus pratos e atrações culturais, concorrendo em cinco categorias: prato da casa, atendimento, bebidas, higiene e a inusitada “prato com ingrediente mineiro”. Todo ano um elemento típico da culinária local é escolhido para que os chefs participantes criem uma nova receita. O selecionado em 2015 foi a couve.

Ele segue o fubá de moinho d’água, da primeira edição, e o queijo mineiro, do ano passado. “Foi naquela época que Minas estava numa briga ferrenha para vender queijo de massa fresca. O Estado ganhou o direito de comercialização bem no fim do ano e entramos com ele logo como ingrediente”, lembra o coordenador.

Diferenças. Para quem acha que isso faz do festival um mero Comida di Buteco reproduzido no interior, Margotti aponta diferenças. “Além do cenário histórico, o grande diferencial é a produção cultural. Para participar, cada estabelecimento tem que oferecer, no mínimo, quatro atrações durante o mês do evento”, argumenta.

Elas podem variar entre shows, peças de teatro ou até exposições de quadros, artesanato e fotografias. Segundo o coordenador, esse tem sido um fator muito importante, ajudando na circulação dos artistas da região. “Muitos deles já aguardam o festival como uma vitrine para mostrar seu trabalho. E temos percebido que a permanência desses artistas nos estabelecimentos vem aumentando durante o ano todo, fora do período do evento, tanto por demanda dos bares quanto dos clientes”, afirma.

Além desses critérios, os estabelecimentos são selecionados ainda com base nas indicações dos proprietários que já participam e dos próprios frequentadores do evento, na sua página no Facebook. Neste ano, foram cerca de 25 novas sugestões. “Visitamos cada um deles e verificamos se eles se adequam às normas do festival. Restaurante que só abre para o almoço, por exemplo, não se encaixa no que precisamos”, explica Margotti.

Mas essa não é a única inspeção por que passam os participantes. O coordenador conta que, durante os dias do evento, ele e um júri técnico fazem uma visita não-agendada a cada um deles, avisada com apenas 30 minutos de antecedência. “É uma forma de ver se o estabelecimento está atendendo aos critérios do festival e de provar os pratos do jeito que o consumidor final prova”, justifica.

Para Margotti, é isso tudo que tem criado uma expectativa cada vez maior em torno do evento na região. “Os bares vêm evoluindo, melhorando, e tem muitas cidades querendo participar. Já existe um projeto para que ele inclua todos os municípios da região das Vertentes”, adianta.

Programe-se

3º Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour Quando. De hoje a 1º/2 Abertura. Hoje, às 20h Onde. Praça Happy Hour – largo da igreja Nossa Senhora do Carmo, praça Carlos Gomes, em São João del Rey Entrada gratuita festivalhappyhour.com.br

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