O jovem escritor boa-praça

Raphael Montes destaca-se no cenário editorial tanto por suas obras policiais quanto por sua proximidade com fãs

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Influência. Escritor acredita que esteja contribuindo para formação de leitores adeptos à literatura policial no Brasil
Bel Pedrosa / divulgação
Influência. Escritor acredita que esteja contribuindo para formação de leitores adeptos à literatura policial no Brasil

A interação que as redes sociais possibilitam não é, por si só, suficiente para garantir um diálogo com cantores, escritores e artistas em geral. Muitos deles mantêm contas nas redes, com milhares de seguidores, mas as respostas ou não são dadas, ou são elaboradas por assessoria de imprensa. Esse não é o caso da revelação da literatura policial Raphael Montes, 24, que é conhecido tanto pelos seus dois romances policiais quanto por sua interação com fãs por Facebook, Twitter e Instagram.

Basta passar o olho em qualquer uma dessas redes para comprovar que Montes faz do diálogo com fãs um exercício diário. Só na rede criada por Mark Zuckerberg tem dois perfis e uma página. “Avisa que podem adicionar, mas no segundo perfil, porque o primeiro está cheio”, diz. Segundo o autor, a relação começou com a publicação de seu primeiro livro, “Suicidas” (Benvirá), e cresceu paulatinamente. Desde então, faz questão de pontuar, é o autor de todas as respostas. “Eu faço isso simplesmente porque gosto. Nunca fiz curso de marketing para divulgar meus livros nas redes ou algo parecido”, afirma. Formado em direito e ex-concurseiro, o jovem escritor carioca largou a carreira para se dedicar exclusivamente à escrita depois que seu segundo livro, “Dias Perfeitos” (Companhia das Letras), tornou-se um sucesso – já vendeu 15 mil exemplares e vai ganhar tradução em outras línguas, como italiano. Faz questão de ter uma rotina de muito trabalho e leitura e que inclua parte do tempo às redes sociais. “Eu recebo diariamente dezenas de e-mails e mensagens por inbox (pelo Facebook) e faço questão de responder todas, normalmente à noite. Para mim, é importante, pois quero saber do que a pessoa gostou e do que não gostou. Assim posso tirar algumas conclusões para os próximos trabalhos”, comenta, ressaltando que isso não quer dizer que escreve o que o público quer, apenas enxerga nas conversas um lugar de pesquisa. O conteúdo recebido, conta Montes, vai de elogios e perguntas sobre suas obras, até contos e livros inteiros, cujos autores querem a avaliação do escritor. “Há dois anos, estava na mesma situação: buscando editoras, por isso entendo a importância que isso tem para eles”, diz o autor ao lembrar que foi a resenha publicada por Santiago Nazarian sobre seu primeiro livro que despertou o interesse da mídia e do próprio mercado editorial para seu trabalho. Ele afirma ter recebido até ofertas em dinheiro para ler e avaliar obras, mas não aceitou. Depois disso, resolveu sanar essa demanda criando um vídeo no qual fala de sua experiência e possibilidades editoriais para interessados terem livros lançados. “Infelizmente não tenho tempo para ler e acabo dando dicas, indicando prêmios e outros caminhos que eles podem tomar”, comenta. É esse cuidado que tem tornado o escritor, frequentemente visto em eventos literários nacionais, tão querido pelos leitores. “Qual leitor não gosta de mandar uma mensagem para o autor e receber uma resposta? Isso conquista a pessoa e também ajuda divulgar seus livros. É muito bom ter esse contato direto”, comenta o livreiro Daniel de Oliveira Machado, 26, que conheceu o escritor no Clube do Livro promovido pelo local onde trabalha. Para o designer e estudante de publicidade Joseph Menezes, 23, “sem dúvidas a aproximação com os leitores torna o interesse pela obra mil vezes maior”. Ele já leu os dois trabalhos do escritor e conta como foi o encontro com o ídolo na entrada de um show de Vanessa da Mata. “Chamei por ele e me apresentei. Ele fez uma cara de ‘quem é você?’. Mas aí falei que tinha lido seus livros, e ele logo me agradeceu, e conversamos por um tempo; daí pedi para fazer foto”, conta. Assim como Machado e Menezes, muitos outros leitores compartilham fotos e informações sobre os livros também nas redes. Na rede social Skoob, dedicada a resenhas e listagem de livros, a segunda obra do escritor acumula 76 resenhas, nas quais a grande maioria apresenta opiniões positivas. Montes, por sua vez, acha que sua presença nas redes sociais e a relação com fãs ajudam na divulgação de seu trabalho e até mesmo na venda, mas salienta que o valor de suas obras independe de seu contato com os leitores. “Já me perguntaram se precisa ter esse posicionamento para ser escritor. Sempre digo que o escritor precisa simplesmente escrever. O resto é resto”, opina.

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