Marta dispara faíscas amigas

Nomeação de Juca Ferreira para o MinC é recebida com críticas por Marta Suplicy, que pega classe artística de surpresa

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Experiência. Ferreira passou pelo MinC entre 2008 e 2010 e estava na secretaria de Cultura de São Paulo
ELZA FIUZA AGENCIABRASIL-ABr
Experiência. Ferreira passou pelo MinC entre 2008 e 2010 e estava na secretaria de Cultura de São Paulo

Juca Ferreira mal havia sido anunciado como novo ministro da Cultura no segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff e levou logo de cara as primeiras porradas. O pior ainda: elas vieram de fogo amigo.

Na noite da última terça-feira, logo após a confirmação de Juca no MinC, a antiga ocupante da pasta, Marta Suplicy, do PT, usou sua conta no Facebook para disparar ataques ao substituto. “A população brasileira não faz ideia dos desmandos que este senhor promoveu à frente da cultura brasileira. O povo da cultura, que tão bem o conhece, saberá dizer o que isto representa”, publicou online.

A virulência do post se espalhou rapidamente pela internet. Ao contrário do que Suplicy tentou sugerir no texto, porém, seu conteúdo parece ter pegado a classe artística de surpresa. Mesmo José Júnior, coordenador do grupo AfroReggae que apoiou a candidatura do senador Aécio Neves à presidência, declarou apoio à nomeação. “Tenho muita admiração por ele. Foi um dos poucos nomes que a Dilma acertou. Marta foi infeliz nesta declaração”, afirmou Júnior em declaração ao jornal “Folha de S. Paulo” de ontem.

Quanto à insinuação de denúncia contida na declaração, o consenso é de que elas devem ser embasadas. “Não quero desqualificar a Marta: se ela sabe de algo, que diga, mas acho um ótimo nome”, opinou o cineasta Luiz Bolognesi ao jornal.

Em Minas, a recepção ao nome de Ferreira, que já comandou a pasta no governo Lula por dois anos, entre 2008 e 2010, não foi muito diferente. “Acho que quem acusa tem que provar”, pontifica o diretor Guilherme Fiúza. Para ele, além de ser um nome forte, Juca representa o desejo da classe artística de todo o país. “É um cara muito voltado para o diálogo. Nós de Minas nunca deixamos de conseguir falar com o MinC durante sua gestão”, afirma.

Raquel Hallak, coordenadora-geral da Universo Produção, responsáveis pelas mostras de cinema de Tiradentes, Ouro Preto e o CineBH, aponta ainda outro forte de Ferreira. “Ele tem muita experiência na elaboração de políticas públicas e sabe montar uma equipe muito competente nesse sentido”, argumenta. Hallak afirma ter comprovado isso na recente passagem de Ferreira pela secretaria de Cultura de São Paulo, onde ele foi o responsável pela criação da SPCine, a Empresa de Cinema e Audiovisual da cidade. “Espero que ele cumpra esse papel, oferecendo políticas públicas em todos os setores da área cultural”, projeta.

Sem querer comentar as declarações de Marta, Hallak elogia a gestão da ex-ministra, especialmente na revitalização da Secretaria do Audiovisual por Mário Borgneth. Já Chico Pelúcio, ator e diretor do grupo Galpão, não poupa críticas à petista. “O que a Marta representou, assim como boa parte do governo Dilma, é o uso de ministérios para interesses políticos”, dispara.

Para Pelúcio, os últimos quatro anos representaram um retrocesso para o MinC. “Espero que ele consiga voltar o ministério ao que ele deixou quatro anos atrás”, suspira. Guilherme Fiúza não chega a ser tão pessimista, mas admite que o orçamento que Ferreira encontra é o mesmo que a pasta possuía quando ele saiu. “Foram quatro anos muito pífios para a gente, principalmente no período da Ana (de Hollanda). A Marta até tentou consertar, só que enfrentou a crise econômica. Mas acho péssima a declaração dela. Só pode falar isso munido de prova. Não entendo o que se passa na cabeça da Marta”, analisa.

Ao ser questionado sobre a nota divulgada pela senadora, durante a posse de Dilma na tarde de ontem, Juca Ferreira se irritou e disse que não responderia sobre esse tema.

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