A reveladora montagem do segundo governo Dilma

iG Minas Gerais |

Tenho acompanhado a lenta e gradual (não sei se segura...) escolha dos novos ministros. Segundo Bismarck, “nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada”. Dilma curvou-se ao capital financeiro, fazendo o que Aécio a acusava de vir a fazer – e colocou Joaquim Levy na pasta da Fazenda. O trio na economia será composto por ele, Tombini e Nelson Barbosa. Aguardemos, pois, a posse e o anúncio do contingenciamento. Tenho para mim que, entre mortos e feridos, ninguém se salvará para resolver os problemas do deus “mercado”. Penso até que Levy ainda vai retirar as gorduras realmente inexplicáveis que se acumulam nos vãos e desvãos, corredores e adjacências dos ministérios, abrigando misteriosas transações dos senhores do país. Depois de receber um tremendo puxão de orelha do procurador geral da República, que se recusou a dar de antemão à presidente a lista dos políticos sujos na operação Lava Jato, veio a segunda leva de novos ministros. Esta me fez lembrar minha infância, quando brincávamos de “Escravos de Jó”: “Os escravos de Jó jogavam caxangá...”. Aldo Rebelo, que já foi ministro das Relações Institucionais, pulou para os Esportes e agora pousa na Ciência, Tecnologia e Inovação; Jacques Wagner foi do Trabalho e Emprego, passou para as Relações Institucionais e agora, apropriadamente, cai de paraquedas no Ministério da Defesa. Um desconhecido deputado mineiro – para agradar ao senador Crivella – vai dominar os Esportes. Para o MEC (coitados dos professores!) segue o irmão de Ciro Gomes. Kassab, aquele que fundou o partido de lado nenhum (nem direita, nem esquerda, recordam-se?), ocupará a poderosa pasta das Cidades. E, primor dos primores, num país onde ainda militam diuturnamente os bravos integrantes do MST, dona Kátia Abreu empalma o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Aliás, quanto a essa espertíssima latifundiária, tenho pronto um artigo mostrando como ela foi cavando sua aproximação com o governo. Tenho certeza de que, se ela tivesse entrado para o PT na mesma época em que Dilma entrou, seria, sem dúvida, a herdeira de Lula, tamanha sua “habilidade” política... Na linguagem dos cientistas políticos, montou-se um governo de “coalizão”, isto é, abrigando gregos e troianos, inclusive o velho PMDB. Quando fevereiro vier, a revelação da lista de políticos envolvidos no petrolão pode mexer nesse tabuleiro ou no que ainda está por vir. Mas de uma coisa estejam certos: Dilma já plantou em seu governo o mesmo imbróglio criado por Lula quando juntou Zé Dirceu e Palocci. Quem viver verá a guerrilha para sucedê-la (se Lula não puder) entre Mercadante e Wagner. Isso, caso não se habilite Miguel Rossetto, que tem atrás de si a valorosa turma da Democracia Socialista, cujas análises sobre o “aprofundamento da revolução democrático-socialista” em nosso país são peça de pura ficção. “Tira, põe, deixa o Zambelê ficar/guerreiros com guerreiros/fazem zigue, zigue e zague”...

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave