Aumento de R$ 64 dá para comprar 2,7 kg de contrafilé

Reajuste de 8,8% eleva o valor dos atuais R$ 724 para R$ 788 já a partir desta quinta

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Está caro. 
A carne foi uma das vilãs da inflação em 2014 e, com o reajuste de R$ 64, só dá para comprar menos de 3 kg de contrafilé
CRISTIANO TRAD / OTEMPO
Está caro. A carne foi uma das vilãs da inflação em 2014 e, com o reajuste de R$ 64, só dá para comprar menos de 3 kg de contrafilé

A partir desta quinta, já está valendo o novo salário mínimo de R$ 788. O valor foi oficialmente publicado nesta terça, no “Diário Oficial da União”. O aumento foi de 8,8%, acima da inflação acumulada até o momento, de 6,56%. No bolso, entrarão R$ 64 a mais, em relação aos antigos R$ 724. Com esse extra, o trabalhador poderá, por exemplo, colocar cerca de 21 litros de gasolina no carro, ou comprar 2,7 kg de contrafilé.  

Em Belo Horizonte, esses R$ 64 a mais dariam para comprar um quinto da cesta básica, avaliada em R$ 309 pelo Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Socioeconômicos (Dieese). Para o órgão, ideal mesmo seria que o mínimo fosse de R$ 2.923,22. Esse é o valor calculado como suficiente para cobrir as despesas mensais de um trabalhador e sua família.

O novo mínimo ficou abaixo das expectativas do Congresso Nacional, que estimava R$ 790 para fixação do Orçamento de 2015, ainda não aprovado. A diferença de R$ 2 proporcionará uma economia de R$ 752,8 milhões em relação à previsão de gastos do Legislativo, segundo cálculos do consultor da Câmara dos Deputados Leonardo Rolim. O valor também é ligeiramente inferior ao previsto pelo próprio governo em agosto deste ano, quando a proposta do Orçamento de 2015 foi enviada ao Congresso. Na ocasião, era R$ 788,06.

Segundo Rolim, o valor ainda é provisório, pois o piso é reajustado conforme o crescimento da economia de dois anos atrás, mais a variação da inflação deste ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que ainda não está apurada. Mas, se ela se revelar inferior ao resultado, o mínimo poderá ser recalculado.

Segundo o consultor, não se pode entender que a presidente enfrentou o Legislativo ao estabelecer um valor abaixo daquele esperado pelos parlamentares. “Ela apenas cumpriu a lei”, disse, referindo-se à correção conforme a inflação e o crescimento da economia. Rolim disse ainda que, mesmo trabalhando com um mínimo mais robusto, os cálculos do Congresso para as despesas atreladas ao piso salarial ainda estavam subestimados. Especialistas apontam que o governo, ao construir sua proposta de Orçamento para 2015, puxou para baixo a estimativa de diversos gastos e exagerou na expectativa de arrecadação, para conseguir fechar as contas. 

Valor ideal R$ 2.923 é quanto deveria ser o mínimo, segundo o Dieese

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