Início de obras da nova rodoviária está por uma casa

Imóvel será demolido no dia 2; moradores ainda estão no local

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Dificuldade. 
Família se mudou para casa com metade do tamanho da anterior e ainda paga aluguel
MOISES SILVA / O TEMPO
Dificuldade. Família se mudou para casa com metade do tamanho da anterior e ainda paga aluguel

As tradicionais festas de fim de ano não vão ter, dessa vez, a mesma alegria para a família do aposentado Jorge Rodrigues Gomes de Souza, 60. Depois de 58 anos morando em uma casa no bairro São Gabriel, na região Nordeste da capital, Souza, a mulher, dois filhos, uma nora e dois netos, tiveram que se mudar às pressas, no último fim de semana, para uma residência alugada no bairro Belmonte, após recebimento de ordem judicial. Sua casa, completamente demolida nesta segunda, era a penúltima ainda de pé na região onde será construída a nova rodoviária de Belo Horizonte.

Deixar o lar que construíram, com esforço, não foi fácil. O conforto da vida entre pés de manga, acerola e goiaba, em uma área de 618 m², não existe mais, e, sem opção, as sete pessoas e seus cinco cachorros mudaram-se para uma casa com metade do tamanho e ainda com um aluguel de R$ 800. Gatos e galinhas que viviam no terreno ficaram para trás.

“O sentimento é de aperto, angústia e sofrimento. Foi um pedaço da gente que ficou”, diz Souza. “A gente tinha amizade com todo mundo, e tudo que precisava estava perto. Está certo que é uma obra pública, mas a prefeitura tem que olhar também para as pessoas”.

Filho do aposentado, Felipe Rodrigues de Souza, 34, diz que a adaptação ao novo espaço tem sido difícil. Ele conta que a família luta há um ano para receber um valor que considera justo pela antiga casa.

Com a saída da família, apenas um casal ainda vive na área de 35 mil m² onde será erguida a nova rodoviária. Moradora do local, Marlene dos Santos, 67, disse à reportagem que recebeu nesta segunda ordem judicial para deixar o local até esta quarta. “Imploramos e deixaram que ficássemos até o dia 2, quando já vão chegar com caminhão para tirar tudo. Mas não temos para onde ir, nem condição de pagar aluguel”.

A prefeitura informou que foram necessárias 20 desapropriações e 17 remoções judiciais – 16 foram concluídas.

Início das obras sem data certa Embora o prefeito Marcio Lacerda tenha afirmado, na última semana que, com o fim das desapropriações, a empresa vencedora da licitação da nova rodoviária poderia começar “quase que imediatamente” a terraplanagem, ainda não há data certa para o início das obras. A BHTrans informou que está programada para o início de janeiro uma reunião com a empresa, quando será discutida a data de início das obras.

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