E-mails indicam ‘atuação direta’ de cartel no governo

PF apreendeu em computador textos que revelam negociações

iG Minas Gerais |

Balanço. A Petrobras planejava liberar resultados no início de novembro, mas prorrogou para 31 de janeiro
FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO - 13.4.2014
Balanço. A Petrobras planejava liberar resultados no início de novembro, mas prorrogou para 31 de janeiro

Brasília. E-mails apreendidos durante as buscas na sede do grupo OAS e na casa do presidente da empresa, José Aldemário Pinheiro Filho – o Léo Pinheiro –, indicam que as empresas do suposto cartel acusado de pagar propina a altos funcionários da Petrobras em troca de contratos bilionários tratava diretamente com a Casa Civil e Ministério da Fazenda sobre as obras e contratos de seus interesses na área de infraestrutura.

“Acertada, finalmente, com a Casa Civil nossa atuação junto aos diversos ministérios. Casa Civil continuará atuando no processo, mas as iniciativas serão nossas. O que nos dá liberdade e agilidade”, escreve Rodolpho Tourinho Neto, no dia 3 de julho, quando já havia sido deflagrada a operação Lava Jato.

O autor do e-mail foi o ministro de Minas e Energia no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), é ligado ao DEM e atual presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Entre seus interlocutores estão alguns dos alvos centrais da Lava Jato dentro do braço empresarial do suposto esquema: a Andrade Gutierrez, o Grupo OAS, a Camargo Corrêa, a Mendes Júnior, a Galvão Engenharia, a UTC Engenharia, além de representantes da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) e do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon).

Os e-mails escritos por Tourinho Neto foram interceptados pela Polícia Federal nos computadores de Léo Pinheiro, quando ele e outros executivos foram presos por ordem judicial.

O arquivo de Léo Pinheiro abarca temas como obras, nomes de contatos nos ministérios, na Casa Civil e na Fazenda, bem como indicativos de que o grupo era consultado pelo governo antes que decisões internas fossem tomadas.

Default. A Petrobras pode entrar em default técnico (descumprimento de um contrato entre credor e devedor) em algumas de suas dívidas externas a partir de hoje, se credores aderirem a uma campanha para forçá-la a acelerar as possíveis baixas contábeis, devido ao escândalo de corrupção que envolve a petroleira. A campanha, conduzida pelo fundo Aurelius Capital, sediado em Nova York, aplica-se apenas a US$ 54 bilhões de títulos da Petrobras regidos pela lei dos Estados Unidos.

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