Futsal: oposição deseja quebra de sigilo bancário dos investigados

Com líder de Minas Gerais, grupo que faz oposição da atual gestão conta com 18 das 24 federações com poder de voto

iG Minas Gerais | FERNANDO ALMEIDA |

Dirigentes da Confederação Brasileira de Futsal (CBFS) suspeitos de terem participação no escândalo que assola a entidade podem ter os sigilos bancário e fiscal quebrados. De acordo com o grupo de oposição à atual gestão da CBFS, o intuito é tirar Renan Tavares da presidência da confederação e acionar eleições para o cargo até o fim de fevereiro.

"Sugerimos às autoridades policiais a quebra de sigilo bancário e fiscal. Entendo que ela irá fazer isto junto à justiça para ajudar ainda mais a provar as irregularidades da atual gestão da confederação brasileira de futsal", afirmou ao Super FC o advogado Eugênio Vasques, que representa o grupo opositor liderado pelo presidente da Federação Mineira de Futsal, Marcos Madeira.

Dezoito das 24 federações votantes (Brasilia, Rio de Janeiro e Acre não tem condições de voto por falta de documentações, certidões negativas) pediram a instauração de um inquérito junto às policias Civil e Federal, no Ceará, com denúncias que apontam lavagem de dinheiro, indícios de desvio de verbas, estelionato ou apropriação indevida e associação criminosa - ficaram fora Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso do Sul, Bahia, São Paulo e Amazonas.

Entre os indiciados estão membros da atual gestão como o presidente Renan Tavares, e a vice de administração, Louise Bedé, além do ex-presidente da CBFS, Aécio de Borba, que deixou a entidade em junho deste ano após estar na presidência desde 1979. O Ministério Público ainda será acionado após o recesso da justiça, que termina próximo dia 7.

"Existe uma matéria civil em que a junta tenta tomar o poder da confederação e fazer a eleição. E a criminal que foi apresentada às polícias Civil e Federal, que vão abrir inquéritos a serem serem enviados à justiça. Ainda estão em curso de investigação", disse Vasques.

Documentos divulgados pela ESPN e Folha apontam que Tavares e Louise receberam em 2013 parcelas de R$ 10 mil por meio da firma de "produção e logística de eventos" ARFE, empresa do genro de Aécio de Borba, Armando Gondin. Outra que também teria recebido este dinheiro é a esposa de Renan, Edineide Menezes, que não tem cargo oficial na confederação.

Em contato com a Folha, Tavares indica que estes pagamentos referem-se à "gratificação pecuniária (remuneração por serviços extras) devida aos integrantes do Comitê Executivo da Liga Nacional de Futsal".

Uma auditoria acionada pela oposição indicou que aproximadamente R$ 3 milhões foram gastos em 2013 pela CBFS com serviços não identificados. Além disto, a ARFE havia emprestado R$ 2,5 milhões à entidade em março de 2014. Para fechar, a auditoria 'encontrou' uma dívida que beira a casa dos R$ 8 milhões.

A CBFS já perdeu o patrocínio do Banco do Brasil e dos Correios, que somados já deram mais de R$ 30 milhões à confederação.

"Lembrando que o patrocínio dos Correios foi de R$ 20 milhões (contrato global) e o do Banco do Brasil somado tudo chega a R$ 11 milhões. Estamos falando de R$ 31 milhões de patrocínio público que podem ter parte vinculado a estes absurdos", comentou o advogado Eugênio Vasques. "Esperamos que a moralização ocorra assim como está acontecendo atualmente no vôlei e teve no tênis no passado", finalizou.

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