Vai ter do rúgbi ao badminton

Para o COB, Jogos criarão oportunidade para o Brasil incentivar a prática de novos esportes

iG Minas Gerais | Diego Costa |

Origem. Rúgbi é um esporte que nasceu na Inglaterra e tem intenso contato físico
Helen Lagares /Divulgação
Origem. Rúgbi é um esporte que nasceu na Inglaterra e tem intenso contato físico

Aos 25 anos, a mineira Brenda Maia sentiu que precisava se exercitar. Outrora jogadora de futsal, ela teve de parar de praticar o esporte para dar sequência aos estudos. Acabou caindo no sedentarismo. Foi então que encontrou uma atividade para se movimentar: o rúgbi. Dois anos depois – agora com 27 anos, ela vive a expectativa de fazer parte de um seleto grupo de modalidades que representará o país pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, e justamente dentro de casa, no Rio, em 2016.

Além do rúgbi, que vai entrar com a categoria seven (com sete jogadores), a lista de esportes novatos no Brasil conta com o badminton, a ginástica de trampolim, o golfe e o hóquei sobre grama. A expectativa é que a delegação nacional seja a maior até aqui, com cerca de 400 atletas. Mas para que isso seja possível, os esportes estreantes são fundamentais. Em alguns casos, como do hóquei sobre grama e o badminton, a participação está condicionada ao ranking mundial, com índices estabelecidos por cada federação internacional.

O diretor executivo do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Marcus Vinicius Freire, acredita que a participação inédita do país nos esportes citados pode ajudar a alavancar a prática entre os brasileiros. “Essa é uma oportunidade inédita de desenvolvimento para essas modalidades. A realização dos Jogos Olímpicos Rio 2016 aumenta as condições para que surjam ídolos em diversas modalidades, independentemente do estágio de desenvolvimento apresentado por eles”, comentou Freire.

Atleta do BH Rúgbi, Brenda teve de se mudar para São Paulo para treinar com a seleção brasileira que se prepara para os Jogos. Sobre representar o Brasil no maior evento do esporte mundial, a graduada em educação física admite: “Eu nunca pensei nisso para ser sincera. Quando era atleta de futsal sonhava em me profissionalizar. Aí, veio o rúgbi, quando disputava eu via essa possibilidade, mas achei que iam escolher meninas mais jovens, mas o técnico gostou de mim e me convidou. Ter essa oportunidade é sensacional. É um sonho”, concluiu a atleta mineira de rúgbi.

entusiasmo. A expectativa se estende para os dirigentes. “Para nós, é uma oportunidade de crescimento muito grande. Disputar os Jogos em casa entusiasma os atletas, todos os competidores, além de despertar o interesse que muitos não tinham na modalidade”, destacou o presidente da Confederação Brasileira de Golfe, Paulo Pacheco.

Seleção masculina tem mais chances

Nem tudo é festa entre os novatos brasileiros nas Olimpíadas de 2016. O hóquei sobre grama é a grande preocupação do COB. Para participar dos jogos, o time masculino precisa estar entre os 30 melhores do ranking da Federação Internacional de Hóquei, no caso dos homens, e entre os 40 melhores, para as mulheres.

Em situação delicada, o diretor executivo Marcus Freire reconhece que o país deverá ficar sem representante na competição feminina. Um investimento de R$ 1,4 milhão foi feito na modalidade no Brasil, mas as meninas não atingiram o nível necessário.

“A seleção feminina não conseguiu atingir um nível técnico mínimo para participar dos Jogos Olímpicos em 2016. Esta foi a conclusão da própria Federação Internacional de Hóquei sobre a Grama. Diante disso, o COB, com a concordância da Federação Internacional e da Confederação Brasileira, optou por concentrar os investimentos na seleção masculina, que tem um nível de jogo mais próximo à qualidade técnica exigida pelos Jogos Olímpicos em 2016”.

A seleção masculina se prepara para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, no ano que vem. O investimento total no esporte chega a cerca de R$ 4,9 milhões. 

Cinco modalidades olímpicas e “estranhas” para nós:

Badminton

É um esporte olímpico desde 1992. A Confederação Brasileira da modalidade espera ter competidores em todas as modalidades: masculina, feminina, dupla masculina e feminina e dupla mista. Daniel Paiola é um dos nomes: “É um sonho ter a possibilidade de representar o seu país em um evento como esse”, afirma o atleta.

Trampolim

Similar aos saltos de artistas circenses, a ginástica de trampolim integra o mapa olímpico desde os Jogos de 2000, em Sidney, na Austrália. Por ser país-sede, o Brasil terá direito a uma vaga, que ficará com o melhor atleta colocado no Mundial de 2015, a ser disputado na Dinamarca. A equipe nacional ainda competirá o Pan de Toronto.

Golfe

Como país-sede, o Brasil terá uma vaga no feminino e uma no masculino. A Confederação Brasileira exige que os competidores tenham pontos no ranking mundial. A disputa em solo brasileiro será histórica e ganha destaque mundial. Fora das Olimpíadas desde os Jogos de 1904, o golfe voltará ao evento esportivo no Rio de Janeiro, na Olimpíada de 2016.

Hóquei sobre grama

A grande dor de cabeça do Brasil. Para confirmar a participação na disputa, as seleções masculina e feminina precisam atender índices da Federação Internacional da modalidade, o que somente os homens devem obter. Para isso, precisam ficar entre os seis melhores dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. O esporte é modalidade olímpica desde 1908.

Rúgbi

O esporte é tido como um dos mais promissores do Brasil, com considerável crescimento de seus adeptos em várias partes do país. A categoria olímpica (rúgbi sevens) volta justamente nos Jogos em solo brasileiro, após décadas fora do quadro de competições. As seleções masculina e feminina estarão na briga por uma medalha, e a expectativa é boa para chegar ao pódio.

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