Menos PT e PMDB no governo

Presidente tenta desvencilhar dos dois maiores partidos apoiadores e busca nova articulação

iG Minas Gerais |

Ritual. Ontem, todos os passos programados para a posse da presidente reeleita, Dilma Rousseff, foram ensaiados na Esplanada
Elza Fiuza/Agência Brasil
Ritual. Ontem, todos os passos programados para a posse da presidente reeleita, Dilma Rousseff, foram ensaiados na Esplanada

Brasília. Ao entregar o Ministério das Cidades para Gilberto Kassab, presidente do PSD, e a pasta da Educação para Cid Gomes, principal nome do PROS, a presidente Dilma Rousseff tenta fortalecer e criar novas linhas de articulação política em seu segundo mandato. Ao mesmo tempo, procura reduzir o poder dos principais partidos da coalizão em seus palcos favoritos: o PT dentro do próprio governo e o PMDB, no Congresso.

O raciocínio da presidente é o de que quanto maior for o protagonismo de petistas e peemedebistas, mais ela ficará refém das exigências das duas legendas. Assim, a prioridade para o início do segundo mandato é dar liberdade de trabalho ao novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele foi escolhido para adotar uma política econômica de ajuste fiscal severo, a fim de manter a inflação no centro da meta planejada (4,5%), produzir o superávit primário e sustentar o câmbio sob controle, com o dólar valendo R$ 2,40.

Na visão da presidente, essa é uma questão que está fora da pauta dos partidos por significar a própria sobrevivência do projeto de governo.

Por isso, conforme um auxiliar do Planalto, Dilma sabe da necessidade de reduzir o poder de seu partido. Tendências mais à esquerda, como o PT de Lutas e Massas, exigem a demissão de Levy antes mesmo da posse e ainda chiam da escolha para a Fazenda. O raciocínio da presidente é o de que quanto maior for o protagonismo de petistas e peemedebistas, mais ela ficará refém das exigências das duas legendas. O PMDB, sempre pedindo mais espaço político e dificultando votações no Congresso, e o PT, pregando a volta da doutrina econômica heterodoxa de Guido Mantega.

Ministro, Kassab vai mais uma vez trabalhar pela criação de uma nova legenda. Em 2011, ele fundou o PSD a partir de dissidências do DEM. Agora, buscará a fusão do partido com outros menores, o que resultaria no criação do novo Partido Liberal (PL). Nas contas do ex-prefeito de São Paulo, assim que o plano for executado, sua legenda será catapultada da quarta para a primeira ou segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, passando dos atuais 37 para cerca de 70 deputados – mesmo número do PT e 4 a mais que o PMDB.

Articulador inconteste, como já provou na formação do PSD, Kassab poderá ampliar o poder de atrair parlamentares para o novo partido ao comandar Cidades. Trata-se de uma das canetas mais cobiçadas da Esplanada, com alto poder de fogo e capilaridade.

Em 2015, o ministério continuará a ser o terceiro maior orçamento de investimento e custeio não fixo, em torno de R$ 26,3 bilhões. É nessa pasta que se concentra fatia significativa de emendas parlamentares.

Educação

Poder. Como ministro da Educação, Cid Gomes vai administrar a maior fatia da Esplanada, com R$ 46,7 bilhões em despesas não fixas e terá muitos cargos à sua disposição.

Articulação

Mobilização. Desde o início do mês, o PT tem tentado mobilizar eleitores nas redes sociais por meio de uma “convocação” de apoio à posse da presidente.

Internet. O partido criou inclusive o site “Posse da Dilma”, onde internautas podem deixar recados e manifestar seu apoio a à presidente. Nas redes sociais, foram criadas os hashtags: #possedaDilma e #eunaPosse.

Esperança. O partido está a posse de Marcha da Esperança. Para o secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, “a posse tem que mostrar que Dilma tem legitimidade e apoio popular”.

A posse

Compromisso. Dilma deixará o Palácio do Planalto, em carro aberto, às 14h30, e seguirá para o Congresso onde será recebida pelos presidentes do Senado e da Câmara, para o início da cerimônia de Compromisso Constitucional.

Salva. Por volta das 16h, Dilma se dirigirá à Praça dos Três Poderes e ouvirá o Hino Nacional. Ao final, a presidente será homenageada com uma salva de 21 tiros.

Discurso. O pronunciamento de Dilma está programado para às 16h30.

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