Ímpar, improviso

iG Minas Gerais |

acir galvao
undefined

Tenho uma predileção pelos anos ímpares. Sem nenhuma razão absoluta. Se é preciso arriscar um motivo, posso dizer que qualquer número ímpar me aponta ingenuamente para algo menos previsível do que a precisa divisão matemática dos números pares. É só uma ideia abstrata. Mas o que não dá pra dizer é que 2014 foi um ano monótono no Brasil. Para citar apenas alguns fatos, se esperávamos fortes emoções com a Copa do Mundo, elas vieram banhadas de decepções com o nosso time, mas foi uma grande festa mundial em nosso país, com a presença de milhares de estrangeiros. Fora o fiasco da nossa seleção, o que tanta gente esperava que não desse certo funcionou, embora com estádios superfaturados, parte deles agora elefantes brancos, como se previu. E ainda caiu um viaduto em Belo Horizonte.

Fortes emoções se seguiram depois com as eleições para presidente. O acirramento vivido na disputa do segundo turno provocou feridas ainda não cicatrizadas em muitos casos. Falar disso continua sendo um risco de mexer em vespeiro. Para A ou para B, o país se mobilizou com nervos à flor da pele. Definida a escolha da maioria, agora é seguir adiante, vigilantes para que as políticas públicas avancem e para que nunca mais tenhamos rombos como vêm se descortinando na Petrobras.

Em Minas, as fortes emoções prosseguiram até um mês atrás com as chegadas dos nossos principais times à final da Copa do Brasil. Pela primeira vez Atlético e Cruzeiro disputaram esse título nacional, o Estado virou o centro das atenções desse esporte de chuteiras. Duas torcidas ensandecidas desfilando com as camisas de seus clubes por todos os cantos. No fim, ambas comemoraram, uma o título da Copa do Brasil, outra o título do Campeonato Brasileiro, felizmente sem nenhum grande incidente a manchar a eterna disputa.

Números ímpares – é só uma suposição –, combinam mais com o improviso, o que, no caso do jazz, por exemplo, indica um caminho de criatividade. O que virá do ano de 2015, que começa daqui a três dias, não dá para imaginar. Mas se for tão movimentado quanto 2014, teremos bons motivos para comemorá-lo rememorando alguns de seus principais fatos daqui a um ano. Se não vamos ter Copa nem eleições, que venham boas coisas imprevisíveis. Que o número ímpar seja novamente um bom presságio.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave