De forma espontânea, mas frenética

Em pouco mais de 2 anos de carreira, banda Dom Pepo ganha festival em SP e se coloca como uma revelação

iG Minas Gerais | fábio corrêa especial para o tempo |

Variações. Dom Pepo se inspira em sonoridades que vão do choro ao rock psicodélico
Letícia kumaira/divulgação
Variações. Dom Pepo se inspira em sonoridades que vão do choro ao rock psicodélico

Procrastinação é uma palavra que parece não existir no vocabulário dos belo-horizontinos do Dom Pepo. Formado há pouco mais de dois anos nos corredores da Fafich, na UFMG, o grupo chegou a compor nada menos que uma centena de canções apenas em 2013. Tanta ralação trouxe, quase naturalmente, frutos que agora podem ser colhidos com satisfação. Em novembro, a banda levou para casa os prêmios de melhor canção e arranjo no Botucanto, prestigiado festival de música realizado anualmente na cidade paulista de Botucatu, pela música “A Cidade”.

“Acho que fizemos por onde, porque não paramos de trabalhar nunca, nosso ritmo é muito frenético”, analisa o vocalista João Vitor Rocha. “A receptividade que a Dom Pepo tem ganhado vem do fato de fazermos as coisas com carinho, porque talento existe demais, mas o que conta mesmo é o trabalho”, diz Rocha, que ainda confidencia que as canções do grupo que vão a público representam cerca de 5% de todas as composições do Dom Pepo.

Tanto comprometimento, porém, surgiu de forma espontânea. O pulo do gato se concretizou mesmo durante as manifestações de rua de 2013. Eventos como o corredor cultural, organizado, na época, nos arredores do viaduto Santa Tereza, possibilitaram que a banda se apresentasse para um público maior. Numa descompromissada apresentação em torno de um piano deixado por Gabriel Guedes na então ocupada Câmara Municipal, a banda recebeu convites para outras apresentações, que culminaram em um show que lotou a casa A Gruta, no Horto.

Lá, Luiz Gabriel Lopes, do Graveola e o Lixo Polifônico, se impressionou com o som do Dom Pepo. Depois do show, o guitarrista foi ao camarim e convidou os sete integrantes da banda a gravar um disco. “O Luiz pegou emprestado equipamentos, como pré-amplificadores e sintetizadores, dos coletivos de música daqui, improvisamos um estúdio no sítio que estávamos morando em Nova Lima e começamos a gravar”, conta João Vitor. Do sítio, as bases foram levadas para o estúdio Pimentão Recheado, onde o EP tomou forma final.

Batizado de “Mu”, o trabalho apresenta seis composições do Dom Pepo, revelando sonoridades que remetem dos prelúdios Villa-Lobos à psicodelia dos Mutantes. “A gente costuma dizer que nossas influências vão do choro ao jazz”, aponta João Vitor, citando também a presença marcante do baião e do rock’ n’ roll.

Futuro. Com idades que variam dos 19 aos 25 anos, sete integrantes compõe o Dom Pepo. Além de João Vitor Rocha, Thiago Gazzinelli, André Mimiza, Max Carboni, João Vitor Rocha, André de Freitas, Pedro Fonseca e Laura Catarina completam o time. Do baixo à sanfona, a gama de instrumentos é tão ampla que o mais correto é dizer que o grupo pratica um “revezamento de instrumentos”.

Para 2015, o Dom Pepo planeja um novo disco, que deverá ser gravado entre a Bahia e o Rio de Janeiro. “Inclusive, convites para tocar na capital fluminense não faltam, e, se a agenda deixar, a banda se apresentara por lá no próximo ano”, diz Rocha.

Já o público mineiro poderá conferir o trabalho do Dom Pepo na primeira semana de janeiro. Pelo festival FUROR (Férias Urbanas Repletas de Ótimos Rolês), a banda faz show no próximo dia 6, junto com os paulistas do grupo O Terno. Além disso, “Mu” está disponível gratuitamente para streaming no site oficial da banda: www.dompepo.com.br.

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