Tamanho da dívida de empresas já assusta o governo

Executivo interfere para assegurar novos empréstimos

iG Minas Gerais |

Operação. A Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal, investiga desvios de recursos da Petrobras
DANIEL TEIXEIRA
Operação. A Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal, investiga desvios de recursos da Petrobras

Brasília. A Petrobras e as empreiteiras investigadas pela operação Lava Jato têm hoje uma dívida superior a R$ 130 bilhões com bancos privados e públicos no Brasil, de acordo com um levantamento que circulou neste mês no governo. O estudo assustou a cúpula do Executivo e os bancos que têm contratos com essas empresas e fez com que o Palácio do Planalto se mobilizasse para assegurar a manutenção dos empréstimos.

Pareceres oficiais indicam o medo de que as instituições financeiras sofram se as empresas sob investigação forem declaradas inidôneas e forem impedidas de trabalhar com o setor público.

Regras de diversas instituições financeiras impedem a concessão de empréstimos para empresas com esse tipo de punição, o que poderia provocar calote no pagamento de créditos já liberados ou suspensão de financiamentos de longo prazo por risco de não pagamento no futuro.

Quase metade da dívida acumulada corresponde a obrigações da Petrobras, como indica o último balanço publicado pela estatal, de junho. Se forem considerados compromissos com bancos internacionais e fornecedores, a dívida pode superar R$ 500 bilhões, o equivalente a quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Nas últimas semanas, integrantes do governo se debruçaram sobre os números para tentar avaliar os riscos de contaminação da economia no caso de essas empresas perderem contratos e ficarem sem acesso a crédito.

Desde que os executivos das empreiteiras sob investigação foram presos, em novembro, seus advogados argumentam que o país pode parar se essas empresas forem declaradas inidôneas.

A princípio, o governo encarou declarações desse tipo como terrorismo. Essa percepção, porém, mudou nas últimas semanas, quando bancos alertaram a equipe da presidente Dilma sobre o tamanho do problema. Algumas instituições reclamaram que o BNDES estava relutando em liberar recursos para projetos dos quais os bancos privados participam. O governo pressionou o BNDES para que encontrasse uma solução.

Entenda

Restrição. A empresa inidônea pode ficar até cinco anos proibida de firmar contrato com órgãos públicos. A lei permite que obras em andamento continuem, mas o acesso a crédito fica mais difícil.

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