Contas do governo assustam a nova equipe econômica

Ajuste fiscal para o ano que vem deve ser de R$ 100 bilhões

iG Minas Gerais |

Esqueletos. Equipe econômica não sabe quanto herdará de despesas que não serão pagas em 2014
DIDA SAMPAIO
Esqueletos. Equipe econômica não sabe quanto herdará de despesas que não serão pagas em 2014

Brasília. Nas últimas duas semanas, os futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, se dedicaram a escarafunchar a contabilidade do governo federal para descobrir e medir gastos que foram escondidos na tentativa de melhorar o resultado fiscal. Nessa espécie de comissão da verdade das contas públicas, eles têm contado com a ajuda de técnicos da atual equipe – e até esses se dizem surpreendidos com as revelações.

A nova equipe econômica se assustou quando teve pleno acesso aos dados do setor elétrico, fornecidos por técnicos do Tesouro Nacional, da Eletrobrás, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e também da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O mapeamento dos “esqueletos” ainda não está pronto e passará por uma nova checagem após a posse do novo governo, em janeiro. Essa é uma das razões por que o tamanho exato do ajuste fiscal ainda não está determinado, embora se especule sobre algo na casa dos R$ 100 bilhões. Outro motivo é que o Congresso Nacional ainda não aprovou o Orçamento de 2015, com base no qual será definido o contingenciamento (bloqueio) de gastos.

Por ora, a equipe considera que, dos R$ 100 bilhões de ajuste, R$ 65 bilhões virão da contenção de despesas. Outro ponto de incerteza é quanto das despesas de 2014 será jogado para 2015. É uma questão que tem gerado atritos entre as equipes de Levy e do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega. Porém, a orientação da presidente Dilma Rousseff é fechar as contas com saldo positivo – de preferência, os R$ 10 bilhões prometidos no mês passado. Para cumprir a meta, é quase certo que haverá despesas postergadas. Quanto Levy herdará em gastos de 2014, não se sabe.

O que o futuro ministro tem dito é que fará o ajuste necessário para atingir em 2015 um superávit primário equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave