Herança maldita ou bendita?

Tucanos e petistas divergem sobre as condições em que o Estado será entregue a Pimentel (PT)

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Para Pestana (PSDB), pontos negativos são culpa do governo federal
DENILTON DIAS - 3.11.2014
Para Pestana (PSDB), pontos negativos são culpa do governo federal

Ao fim de um ciclo, a herança deixada pela gestão do PSDB ganha adjetivos opostos, dependendo de quem qualifica o legado: para tucanos, o governador eleito Fernando Pimentel (PT) vai herdar um Estado em melhores condições do que o recebido por Aécio Neves (PSDB) das mãos de Itamar Franco (PMDB) em 2003. Já os aliados do petista enumeram as dificuldades a serem enfrentadas, segundo eles, maiores do que há 12 anos. Reportagem de O TEMPO de 2 de janeiro de 2003 relatava que Aécio, ao tomar posse, reconheceu as dificuldades que iria encontrar e “garantiu que não possui nenhuma ‘fórmula mágica’ para superá-las”. Ele lembrou uma frase de seu avô, o ex-presidente Tancredo Neves: “É proibido gastar”, afirmando que essa seria a orientação de seu governo. Aécio criticou a equipe econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao comentar sobre o pacto federativo e afirmou que iria assumir um “legado difícil” por causa das dificuldades financeiras vivenciadas pelos governadores Eduardo Azeredo (PSDB) e Itamar Franco. “Na verdade, quando Aécio assumiu o governo, a situação financeira era extremamente difícil. Ele teve que adotar o choque de gestão para zerar o déficit fiscal do governo, que era de R$ 2,2 bilhões”, recorda o deputado tucano Bonifácio Mourão, líder de governo durante o mandato de Antonio Anastasia (PSDB). O tucano garante que Fernando Pimentel vai receber o Estado em melhores condições econômicas do que as que Aécio teve. “Não posso dizer que (o cenário) é tranquilo, porque não é para nenhum Estado, nem para a União”, diz. Mas quem foi oposição nos últimos 12 anos diz que Pimentel vai enfrentar um cenário pior. “É uma injustiça com o Itamar. Talvez eles estejam confundindo com o governo Azeredo, que não pagou o 13º, e alguns servidores ficaram sete, oito meses sem receber. O fato real é que, mesmo sendo o Estado que mais se endividou nesses 12 anos, Minas só é o 22º em crescimento econômico”, critica o deputado Sávio Souza Cruz (PMDB). Ele cita o endividamento do Estado para justificar as críticas à economia na gestão tucana. “Além da dívida com a União, eles tomaram mais uns R$ 5 bilhões em empréstimos e não conseguiram fazer o Estado crescer mais que a média nacional.” O presidente do PSDB de Minas, deputado Marcus Pestana, põe na conta do governo federal a dificuldade financeira do Estado. “Infelizmente o governo Dilma fragilizou os Estados. Zerou a Cide, recurso importante, não pagou a Lei Kandir, produziu um desenvolvimento econômico pífio, o que afetou no ICMS, que é a maior receita”, avalia.

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