A volta dos que nunca se foram

iG Minas Gerais |

Tratando-se de lançamentos, o ano foi repleto de boas surpresas. Sem grandes alardes, artistas de renome internacional e nacional saíram do “stand by” autoral e mostraram que ainda têm música de sobra para alimentar os fãs.

Entre os grandes retornos, o do Racionais MC’s foi um dos que arrebatou o público brasileiro sem avisar. Depois de 12 anos, o maior nome do rap nacional liberou, de graça, “Cores & Valores”, álbum com 15 composições inéditas, entrando quase que automaticamente na lista dos melhores do ano. Lançado em novembro, o disco aponta uma nova direção do quarteto, valendo-se de batidas eletrônicas inspiradas no trap-hop, estilo que se destaca por colocar BPMs mais lentos dentro do hip hop. Pela qualidade musical, foi um grande presente para os fãs, que comemoraram os 25 anos dos rappers em 2014.

Ícone do rock mundial, o Pink Floyd também figurou entre os lançamentos – depois de duas décadas sem inéditas. “Endless River”, apresentado também em novembro, é baseado em sobras de “The Division Bell”, de 1994. Foi uma espécie de homenagem ao tecladista Richard Wright, morto em 2008. Nas bases reutilizadas no disco, Wright foi praticamente revivido em jams com o guitarrista David Gilmour e o baterista Nick Mason.

Igualmente surpreendentes, os paulistas do Titãs lançaram “Nheengatu”, álbum que retoma a veia roqueira do grupo. Lançado em maio, foi o 14º disco de inéditas, e dá fim a um hiato de cinco anos sem canções de estúdio. Muito bem recebido pela crítica, “Nheengatu” retoma o peso que marcou o som do Titãs em trabalhos como o histórico “Cabeça Dinossauro”, de 1986.

O norte-americano Beck Hansen foi outro que retornou em alto nível. Com o belo “Morning Phase”, de fevereiro, o compositor trouxe 13 canções calcadas no folk e com pitadas de psicodelia. Os cinco anos de intervalo para o seu último trabalho, “Modern Guilt”, de 2008, foram muito bem utilizados: a revista britânica Mojo escolheu “Morning Phase” como o melhor disco do ano.

Minas Gerais também foi incluída no roteiro da volta dos que não se foram. O Pato Fu, que havia ficado sete anos sem lançar inéditas, trouxe a público “Não Pare pra Pensar”. Dançante e mais pesado, o álbum é uma resposta a quem continua relacionando a banda a uma inócua “fofura”. (FC)

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