Fôlego e ânimo de iniciante

Neste ano, atriz esteve no ar em três emissoras distintas, com trabalhos de diferentes épocas de sua carreira

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

Intensidade. No ar em “Vitória”, Lucinha Lins ressalta importância de interpretar uma pessoa com o Mal de Parkinson
Isabel Almeida/czn
Intensidade. No ar em “Vitória”, Lucinha Lins ressalta importância de interpretar uma pessoa com o Mal de Parkinson

Aos 61 anos, Lucinha Lins é do tipo de pessoa que nem pensa em parar de trabalhar. A atriz, que interpreta a doce Zuzu em “Vitória”, da Record, estreou na TV em 1979, na série “Plantão de Polícia”, de Aguinaldo Silva e exibida pela Globo. De lá para cá, foram muitas personagens: de amiga a mãe, de filha a avó. Todas elas são guardadas com carinho na memória de Lucinha. “Fiz trabalhos excelentes que deixaram marcas positivas na minha carreira”, valoriza. Foram tantos trabalhos na TV que, neste ano, ela esteve no ar em três emissoras diferentes. Ao mesmo tempo em que a novela de Cristianne Fridman é transmitida pela Record, o SBT reexibe “Esmeralda” e o canal a cabo Viva reprisa “A Viagem”, novela de Ivani Ribeiro, que, segundo a atriz, foi um marco em sua trajetória. “Foi um fenômeno. E é de novo a cada reprise. Guardo as lembranças com carinho”. “Vitória” é o terceiro encontro de Lucinha Lins com o texto de Cristianne Fridman. Em “Chamas da Vida” e em “Vidas em Jogo”, ambas com assinatura da autora, ela teve papéis centrais. Mas é no trabalho atual que considera ter encontrado seu maior desafio na emissora. Zuzu, sua personagem, sofre com o Mal de Alzheimer. “É uma maravilha ter isso nas mãos. Mas me deixa muito nervosa. Não sei até que ponto a doença vai se desenvolver” garante. A inquietação profissional faz com que estar só na novela não seja o bastante para Lucinha. Paralelamente, ela ainda viaja com a peça “Palavra de Mulher”. Ao lado de Tânia Alves e Virgínia Rosa, o espetáculo gira em torno do repertório do cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda. “É uma loucura. Gravo de segunda a sexta e viajo nos fins de semana. Mas ainda sou jovem. Seguro o tranco”, garante, entre risos. Em “Vitória”, sua personagem sofre com o Mal de Alzheimer. Como você se preparou para isso? Li bastante e vi muitos filmes para me ajudar a entender essa doença. Também tive a ajuda de uma médica que está dando assessoria para a Cristianne Fridman escrever as cenas. Tive todo o respaldo para construir essa personagem. Mas, ainda assim, foi um processo complicado. Por quê? Acho que é o maior desafio da minha carreira. É uma virada de personagem muito grande. A Zuzu era uma mulher solar, ativa, casada, com filhos e netos. E começa a desenvolver essa doença. É difícil representar uma pessoa assim. Ela não é uma louca, que é um tipo até mais fácil de fazer. Ela tem esquecimentos, confusões. E vai assim até os neurônios se apagarem completamente e ela esquecer o que é ser humana. É uma maravilha ter esse papel na mão, mas me deixa muito nervosa. Preciso desenvolver uma medida porque a doença se desenvolve de maneira diferente para as pessoas. Neste ano, além de “Vitória”, você esteve no ar em “Conselho Tutelar”, da Record, e nas reprises de “Esmeralda”, pelo SBT, e “A Viagem”, pelo canal a cabo Viva. Como foi se ver em múltiplas produções? Foi bastante inusitado. Mas foi uma delícia, são personagens muito diferentes. Em “Vitória”, tem toda essa carga emocional. Em “Conselho Tutelar” era uma louca, psicopata, que agredia a filha adotiva. “A Viagem” foi um dos trabalhos mais especiais da minha carreira. Aconteceram coisas estranhas, tinha uma energia muito grande no ar, por causa da temática espírita. E, em “Esmeralda”, atuei ao lado do meu filho Claudio Lins. Foi uma delícia. São quatro trabalhos excelentes que deixaram marcas muito boas na minha carreira. O que ainda motiva você a entrar em novas produções? Oportunidades, convites inegáveis, energia… Acho que ainda sou muito jovem. Consigo segurar o tranco. E o ator precisa se mostrar. No dia que eu não puder me mostrar, vou sofrer muito. Tenho 61 anos e ralo desde os 17. Parar, no meu caso, é muito estranho porque tenho uma vida ativa. Quando aparece um buraco entre um trabalho e outro, primeiro, fico aliviada. Na semana seguinte, já me sinto inútil. Não me dou ao direito de férias longas.

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