Recluso, ex-presidente da estatal deixa cargo na Bahia

José Sergio Gabrielli encerra sua atuação como secretário de Planejamento da Bahia em silêncio

iG Minas Gerais | Da redação |

Considerado o responsável por um dos maiores prejuízos da Petrobras e alvo de ação do Ministério Público por improbidade administrativa, o ex-presidente da companhia José Sergio Gabrielli encerra sua atuação como secretário de Planejamento da Bahia em silêncio.

O homem que comandou a estatal por mais de seis anos e que era o mais cotado para ser o candidato do PT ao governo da Bahia está recluso desde abril, quando surgiram as primeiras denúncias de irregularidades na compra da refinaria de Pasadena (EUA).

Ele tem evitado eventos públicos: foi um dos poucos secretários da gestão Jaques Wagner (PT) a não participarem da diplomação do governador eleito,o também petista Rui Costa.

Há aproximadamente dois meses, reuniu seus principais auxiliares e anunciou que não iria integrar o novo governo --até agora, Rui Costa manteve seis dos atuais secretários estaduais.

A confirmação da saída do ex-presidente da Petrobras do secretariado da Bahia veio a público de forma oficial nesta semana, em declaração do próprio governador eleito. "Ele não quer. É o momento de cuidar dos projetos da vida dele", afirmou Rui Costa, reiterando ter "absoluta confiança" no aliado.

Em privado, aliados do governador eleito dizem que a permanência de Gabrielli na equipe poderia "contaminar" o novo governo com uma agenda negativa. Segundo aliados, os planos do ex-presidente da Petrobras para 2015 são modestos: vai tirar dois meses para descansar e debruçar-se com advogados sobre a sua defesa.

Também pretende pedir aposentadoria da UFBA (Universidade Federal da Bahia), onde era professor de macroeconomia antes de ir para a Petrobras.

É dado como certo que ele permanecerá conselheiro da petrolífera portuguesa Galp e da Itaúsa, conglomerado acionista do banco Itaú. Pela participação nos dois conselhos, Gabrielli recebe R$ 960 mil por ano em jetons.  

PONTE DE R$ 7 BILHÕES Além de deixar o cargo envolvido em denúncias, José Sergio Gabrielli não deve ver sair do papel seu principal projeto nos três anos em que esteve na secretaria de Planejamento: uma ponte de 12,2 km entre Salvador e a ilha de Itaparica, cruzando a baía de Todos os Santos.

Orçada em R$ 7 bilhões, a ponte seria a segunda maior do Brasil, atrás apenas da Rio-Niterói. O governador eleito admite que a crise provocada nas empreiteiras pela operação Lava Jato pode prejudicar o cronograma da obra.

O projeto da ponte foi desenvolvido, por meio de um PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse), pelas construtoras Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa --as duas últimas citadas nas investigações da Lava Jato.

Segundo Costa, uma apresentação do projeto foi enviada à presidente Dilma Rousseff. A viabilidade da obra dependerá da aplicação de recursos federais e privados. A expectativa de Gabrielli era licitar a obra no final deste ano, o que acabou não ocorrendo.

Dirigentes da Secretaria de Planejamento admitem que "não há clima" para tocar um projeto deste porte no momento. Gabrielli foi procurado pela reportagem, mas sua assessoria informou que ele não daria entrevistas.

Folhapress