Atos pós-eleição estimulam criação de ‘frente de esquerda’

Lideranças de partidos e entidades querem promover atos para barrar avanço da direita nas ruas

iG Minas Gerais |

Descanso. Presidente Dilma deve retornar a Brasília no dia 29
ED FERREIRA
Descanso. Presidente Dilma deve retornar a Brasília no dia 29

São Paulo. Com as reações que surgiram logo após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, em outubro, 40 líderes de movimentos sociais, centrais sindicais e partidos como PT, PSOL, PCdoB e PSTU começaram a articular a criação de uma frente nacional de esquerda e já preparam uma série de atos e manifestações para 2015.

O objetivo é o de se contrapor ao avanço de grupos conservadores e de direita não só nas ruas, mas no Congresso e até mesmo no governo federal.

A primeira reunião do grupo ocorreu na semana passada, em um salão no Largo São Francisco, no centro de São Paulo. Participaram lideranças do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Central de Movimentos Populares (CMP), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Levante Popular da Juventude, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Via Campesina, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Consulta Popular, Intersindical e Conlutas, além de representantes dos quatro partidos e integrantes de pastorais sociais católicas.

A iniciativa partiu de Guilherme Boulos, do MTST, que no último sábado havia feito elogios ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração de um conjunto habitacional gerido pelo movimento, na Grande São Paulo.

Dias depois, Lula, que é cotado para disputar o Palácio do Planalto em 2018, divulgou vídeo no qual diz que é preciso “reorganizar” a relação com os movimentos e partidos de esquerda se o PT quiser “continuar governando o Brasil”.

Boulos não quis comentar a criação da nova frente. “Isso ainda não foi publicizado”, disse. Participantes da reunião negam que a frente tenha caráter eleitoral. Segundo eles, a frente popular de esquerda (ainda sem nome definido) vai agir em duas linhas. A primeira é atuar como contraponto ao avanço da direita nas ruas e no Congresso e a segunda é buscar espaço dentro do governo Dilma para projetos que estejam em sintonia com a agenda da esquerda, como reforma agrária e regulação da mídia. “Vamos fazer a disputa dentro do governo”, disse Raimundo Bonfim, da CMP.

Os movimentos que participaram da reunião preparam um cronograma de manifestações que começa com atos pela convocação de uma constituinte exclusiva para a reforma política na posse de Dilma, no dia 1º.

Em 1º de fevereiro, quando tem início a nova legislatura, um ato no Congresso vai pedir a cassação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por quebra de decoro. “Em torno dessas atividades deve se buscar uma unidade. O primeiro semestre deve ser de muita instabilidade política”, disse o deputado Renato Simões (PT-SP).

Impeachment. Segundo ele, outra missão da frente de esquerda será enfrentar na rua o “golpismo” representado, segundo ele, por grupos que pedem o impeachment de Dilma. A previsão de instabilidade tem base nos desdobramentos da operação Lava Jato.

No ano que vem a Procuradoria Geral da República deve se pronunciar sobre políticos citados no caso. Segundo o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), os grupos e partidos sem ligação com o governo vão cobrar apuração e punição dos desvios, mas sem estímulo à venda do patrimônio estatal.

“Não vamos permitir que os escândalos sejam usados para privatizar a Petrobras”.

Revoltados

Reação. Grupos contrários à gestão de Dilma se organizam para expandir sua ação pelo país. O Revoltados on Line, que defende o impeachment, vai inaugurar sedes em Brasília e Belo Horizonte.

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