Autores veem e-book ainda pouco valorizado no Brasil

Para escritores, realidade comercial do livro virtual no Brasil ainda se resume a nicho editorial

iG Minas Gerais | Júlio Assis |

No exterior. Sérgio Rodrigues tem seu “O Drible” traduzido para o espanhol, francês e dinamarquês
Bel Pedrosa
No exterior. Sérgio Rodrigues tem seu “O Drible” traduzido para o espanhol, francês e dinamarquês

Vencedor do prêmio Portugal-Telecom de melhor livro do Ano pelo romance “O Drible”, Sérgio Rodrigues avalia esse traço recorrente no Brasil de o escritor, de modo geral, mesmo com uma carreira percorrida, só ganhar maior projeção por meio de prêmios. “Claro que é muito importante ter esse tipo de reconhecimento que é fundamental no ambiente literário. Isso ajuda na divulgação do livro, porque muita gente toma os prêmios como guia de leitura, então é um fator valioso”.

Mesmo antes do prêmio, o romance já foi traduzido para o espanhol e o francês, e o próximo idioma será o dinamarquês. “O livro foi lançado em setembro de 2013, pouco mais pouco mais de um ano e desde então não parou de gerar repercussão. Acho que isso ocorreu muito também pelo momento, pois a história trata de futebol, e estávamos às vésperas da Copa do Mundo. Então tenho viajado muito pelo Brasil e também fora para falar desse romance que não parou de me dar trabalho, no bom sentido. Tanto que só agora estou conseguindo iniciar um próximo romance”, revela ele, autor de outras seis obras.

O romance aborda, a partir do famoso drible que Pelé deu no goleiro Mazurkiewicz, do Uruguai, na Copa de 1970, o acerto de contas entre um famoso cronista esportivo à beira da morte e seu filho, um revisor de livros de autoajuda.

“O Drible” foi lançado também em e-book, um segmento que, para Sérgio Rodrigues, ainda não é devidamente valorizado no Brasil. “Em muitos países os e-books já são uma realidade comercial, mas no Brasil isso ainda está devagar. Há importantes trabalhos sendo feitos por editoras como a e-galáxia, mas o mainstream ainda não jogou suas fichas nesse modelo, que tem seu caminho de mercado como inevitável”.

O escritor João Paulo Cuenca, que foi curador da Bienal de Minas neste ano, tem opinião semelhante. “Ainda falta uma efetiva democratização, não só dos e-readers, mas do hábito da leitura, pro e-book pegar no Brasil. Acho que ainda é nicho e vai continuar sendo por um algum tempo”, prevê.

Dentre outros fatos marcantes da literatura em 2014, a Academia Brasileira de Letras ganhou como novos integrantes o poeta Ferreira Gullar e o escritor e jornalista Zuenir Ventura, respectivamente, nas vagas de Ivan Junqueira e Ariano Suassuna.

E em novembro último chegou às livrarias o novo romance de Chico Barque, “O Irmão Alemão” (editora Companhia das Letras). A obra trata de um irmão que Chico nunca conheceu, fruto de um relacionamento de seu pai, Sergio Buarque de Holanda.

Ficha

O quê. “O Drible”, de Sérgio Rodrigues, editora Companhia das Letras, 224 páginas, R$ 38

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave