Surfista brasileiro perto de bater recorde de ondas gigantes

Rodrigo Koxa não pensou duas vezes antes de embarcar para Portugal e encarar desafio de mais de 30 metros; 'caldo' levado também ficou na memória

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Koxa partiu para Portugal assim que recebeu informações de ondas gigantes
BRUNO ALEIXO
Koxa partiu para Portugal assim que recebeu informações de ondas gigantes

Enquanto Gabriel Medina estava no Havaí, se aproximando do primeiro título mundial de um brasileiro no WCT, outro representante do país tentava fazer história, mas em Portuga.

O surfista Rodrigo Koxa, de 35 anos e natural do Guaraujá, não pensou duas vezes antes de embarcar para a praia de Nazaré, quando uma central de monitoramento o informou que ondas gigantes estavam prestes a aparecer no litoral lusitano. Ele é o atual recordista sul-americano da modalidade, depois de surfar uma onda de 25 metros. Em busca do recorde mundial, Koxa encontrou na cidade outros malucos, atrás de desafios que ultrapassaram os 30 metros de altura. Uma das ondas surfadas por ele pode ter atingido os 33 metros, o que pode colocá-lo no livro dos recordes.

“É um trabalho que exige muita dedicação, conhecimento e fatores além da prática do surfe, como física, metereologia e outras técnicas que nos faz ir de encontro a estas ondas gigantes. Tenho certeza que este foi o maior mar que vi na minha vida, e sem dúvida um dos mais perigosos em que estive presente”, comenta Koxa.

Durante uma das tentativas, ele tomou um grande susto ao ser engolido por uma onda, que o fez ser atropelado por outras mais.

“Depois de pegar mais de seis ondas, veio essa para acabar comigo. Logo ao cair, senti minhas costas chacoalhar com muita força. Eu estava definitivamente numa situação perigosa, mas minha estratégia foi ficar bem calmo pois eu não sabia quanto tempo e quantas ondas mais iriam vir na minha cabeça. Por um momento me senti muito fraco e não via a hora daquelas ondas darem uma trégua", recorda.

Situação parecida aconteceu em 2013 com a também brasileira Maya Gabeira, que acabou se recuperando após sair com uma torção no pé. "Embaixo d’água, a primeira lembrança foi da Maya  Rezei, pensei na minha mulher e nos meus pais. Ao chegar na areia, tive uma só certeza: tinha sido atropelado. Minha prancha ficou presa nas pedras e apareceu depois de meia-hora toda destruída. Senti todo o poder de Nazaré", destaca.

Graças a ajuda de jet skis, Koxa foi resgatado. Uma de suas funções por lá foi pilotar uma destas máquinas, para resgatar quem estivesse em apuros. O desafio apareceu quando o português Antônio Pinto sofreu uma queda. “São momentos cruciais para não deixar tomar muitas ondas na cabeça e ir para a frente do desfiladeiro. Passaram cinco ondas enormes e não encontrávamos o

Antônio. Vi um ponto se movendo colado às pedras. Cheguei nele e dei o sled (prancha de resgate) em sua mão. Ele segurou, mas precisei ajudá-lo. Ele estava com cortes no rosto, com o joelho todo machucado, mas me senti muito aliviado em vê-lo salvo", recorda.

O tamanho das ondas impressionou quem esteve lá. Duas das ondas dropadas em Portugal foram enviadas pelo brasileiro para o 'Oscar' da modalidade, assim como outras duas pegas no Chile.

O recorde mundial de 2011 pertence ao norte-americano McNamarra (30 metros, onda de Nazaré).