Governo não deixa enforcar a sexta, mas servidores não vão ao trabalho

Governador Alberto Pinto Coelho, emitido no último dia 6, que reduziu o recesso de Natal dos funcionários, impedindo a tradicional “enforca” da sexta-feira (26)

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, complexo ainda divide opiniões, mas já representa um marco histórico e uma mudança nos rumos do desenvolvimento
Omar Freire/Imprensa MG - 19.02.2010
Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, complexo ainda divide opiniões, mas já representa um marco histórico e uma mudança nos rumos do desenvolvimento

Em plena sexta-feira (26) pós-Natal, o clima foi de descontentamento e revolta entre os servidores do Estado que trabalham na Cidade Administrativa. A razão é o comunicado de ordem do governador Alberto Pinto Coelho, emitido no último dia 6, que reduziu o recesso de Natal dos funcionários, impedindo a tradicional “enforca” da sexta-feira (26). Segundo os servidores, isso não costuma acontecer quando os feriados caem em terças ou quintas-feiras.

Mas, mesmo com o dia de trabalho considerado normal, o fluxo na sede do governo mineiro, que conta com aproximadamente 17 mil servidores, foi bem menor que o habitual. Por volta do horário de almoço, quando geralmente a praça de serviços fica lotada, poucos servidores eram vistos no local. “É só você olhar nos estacionamentos ou nas mesas dos restaurantes, está tudo muito vazio”, comentou um funcionário da Prodemg, que não quis ser identificado.

Para ele, a novidade do ponto obrigatório se deve à mudança de governo do PSDB para o do petista Fernando Pimentel, que toma posse em 1° de janeiro. “Em feriados muito menos importantes, o governo emendou e, dessa vez, no Natal, não. Acho que foi só porque perderam as eleições”, comenta o funcionário, lembrando que, mesmo com o ponto obrigatório, muitos do seu setor resolveram emendar o feriado para viajar.

Uma servidora da Secretaria de Educação, que também preferiu o anonimato critica os gastos, para ela, desnecessários com o dia trabalhado. “Ninguém está rendendo hoje. Só tem ‘gato pingado’ que veio bater ponto, e, enquanto isso, há gastos com luz e outros à toa”, reclama.

Para o diretor do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado de Minas (Sindpúblicos), Cláudio Utsch, a obrigatoriedade do ponto pós-Natal trata-se de uma punição. “O governo está tentando jogar a responsabilidade da perda do mandato em cima dos servidores. Acharam que os servidores sustentariam a vitória, e não foi isso que aconteceu”, conclui o diretor, que atribui a menor movimentação na sexta também às férias que muitos servidores tiram no período. “Nós não consideramos trabalhar no dia 26 algo ilegal, tanto é que fomos. O problema é a sensação de estarmos sendo punidos”, alega.

Para o governo, no entanto, não houve grandes mudanças. A assessoria de imprensa informou que o expediente foi cumprido normalmente, “já que trata-se de um dia útil”. Ainda de acordo com a nota do governo, o mesmo procedimento foi adotado nos Natais de 2013 e 2012. No dia 31 (quarta-feira), o expediente da Cidade Administrativa vai até as 12h.

Cumprindo agenda

A assessoria de imprensa garantiu que o governador Alberto Pinto Coelho (PP) foi trabalhar na última quinta-feira (25), mas sem agenda pública – apenas audiências internas no período da manhã. O governo chegou a anunciar uma coletiva sobre o balanço da gestão, mas o encontro com os jornalistas foi adiado duas vezes: do dia 23 para o dia 26 e, depois, para a próxima terça, 30.

A “agenda” de transição não foi encarada pelos servidores como justificativa para o ponto obrigatório. Para o diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), Renato Barros, nem todos os funcionários estão sendo demandados para a transição. “Acredito que, nesse caso, há mais atividades para os dirigentes. Então, poderia ter prevalecido o bom senso. Muitos trabalhadores têm família fora de BH”, opina. 

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