Marcio Lacerda quer “passar a peneira” nos infiéis da PBH

Prefeito quer ter a certeza de que não sofrerá boicotes e começará as mudanças ainda em janeiro

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Mistura. Ontem, em almoço de Natal no Restaurante Popular, prefeito falou de sintonia com Pimentel
Uarlen Valério
Mistura. Ontem, em almoço de Natal no Restaurante Popular, prefeito falou de sintonia com Pimentel

O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), fará uma série de cortes na lista dos funcionários comissionados a partir do ano que vem. Partidos da base estão sendo convocados para analisar os quadros que indicaram para a administração. Aqueles que não estiverem “rezando a cartilha” de Lacerda ao pé da letra serão dispensados já a partir das primeiras semanas de 2015.

O troca-troca ainda faria parte da fatura que o prefeito se comprometeu a pagar aos vereadores de sua base para garantir a eleição do novo presidente da Câmara, Wellington Magalhães (PTN).

Lacerda quer ter a segurança de que estará cercado apenas por servidores fiéis nos seus dois últimos anos de mandato. A peneira está atrelada à eleição de 2016. Ele quer ser protagonista na disputa e não aceita sofrer boicotes internos.

Uma fonte do PSB próxima ao prefeito afirma que a consulta aos aliados irá atingir todos os partidos que estão ao lado do prefeito e será feita caso a caso, por isso não é possível prever o total dos desligamentos.

A avaliação se dará em duas frentes: internamente, com o corpo técnico, e politicamente, com os responsáveis pela indicação. “Será analisado se os indicados estão dentro do projeto do partido e da prefeitura. Lacerda está firme no propósito de contar com pessoas de engajamento e de acelerar o ritmo dos seus feitos nesses dois últimos anos”, afirmou o aliado.

Um vereador da base confirma que já recebeu a orientação do partido para rever a situação das pessoas que colocou na prefeitura. “Lacerda não quer correr o risco de ter pessoas que, em determinado momento, irão diminuir o ritmo ou fazer algo para prejudicar sua avaliação, como operação tartaruga em alguma área bem-avaliada”, revelou.

Um outro parlamentar da base do prefeito garante que as mudanças são a estratégia encontrada para garantir o acordo firmado com o grupo aliado. Como mostrou O TEMPO, Lacerda se reuniu por três horas com 26 parlamentares na véspera da eleição da Câmara. Ele prometeu tratar “aliados como aliados e adversários como adversários”.

O prefeito garantiu dar espaço aos aliados na máquina em troca de apoio à candidatura de Magalhães, que se elegeu com 25 votos. “Eu mesmo estou esperando ser chamado para indicar alguém. É uma meta dele (Lacerda) contemplar a base, que hoje não está sendo tratada como base. Outros políticos que não são fiéis têm pessoas lá dentro (da prefeitura)”, afirma um dos representantes da Casa.

O presidente eleito na Câmara, Wellington Magalhães, disse que sua legenda ainda não foi consultada, mas afirmou que a redistribuição de cargos é normal e necessária. “Lacerda tem que saber quem vai caminhar nesse projeto político com ele e quem não vai. Quem não estiver junto tem que sair. Ele tem que fazer o seu sucessor”.

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