Saída de família deixa área livre para rodoviária

Prefeito diz que Justiça já autorizou a última desapropriação no bairro São Gabriel

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Angústia. A família de Jorge de Souza (em pé) não sabe para onde ir após deixar casa no São Gabriel
DENILTON DIAS / O TEMPO
Angústia. A família de Jorge de Souza (em pé) não sabe para onde ir após deixar casa no São Gabriel

Sete pessoas, quatro cachorros, dez gatos e 20 galinhas prestes a serem despejados. O Natal teve um sentimento de perda e insegurança para o mecânico aposentado Jorge Rodrigues Gomes de Souza, 60, e sua família, que terão de deixar a casa onde vivem com seus bichos, às margens do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, no bairro São Gabriel, na região Nordeste. A saída deles é a condição para o início da construção da nova rodoviária da capital, que já deveria estar pronta há cerca de dois anos.

Ontem, o prefeito Marcio Lacerda disse, durante almoço festivo no Restaurante Popular, que a última desapropriação foi realizada e que o terreno está livre para o começo das obras. “Recebemos a emissão de posse na semana passada. Então, é só esperar a saída da pessoa”, afirmou Lacerda. A pessoa em questão é Souza, mas a decisão se reflete também na vida da mulher dele, seus dois filhos, uma nora e dois netos. Fora os animais que vivem no terreno, que, assim como a família, estão sem destino.

“Estou procurando uma casa para alugar e um espaço para deixar os bichos. Passei o dia (ontem) percorrendo Santa Luzia (na região metropolitana) e outros bairros de Belo Horizonte atrás de um aluguel. Mas não é fácil achar”, afirmou.

A decisão da Justiça para a desapropriação saiu no último dia 16. Depois de intervenção da defesa de Souza e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a família conseguiu prazo até o dia 29 para deixar o lugar. “Vou sair, não sei para onde ainda, não temos força para resistir a uma ordem judicial”, disse Souza.

Já o prefeito informou que, com a desapropriação, a área será entregue para o concessionário executar a obra, que ajudará a desafogar o trânsito na área central onde atualmente funciona o terminal. “Pelo que eu sei, esse é o último obstáculo, e a empresa poderá começar quase que imediatamente a terraplanagem”, completou Lacerda.

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