Ecos de corações que pararam de bater nos séculos passados

Obras estão sendo exibidas no museu Menil Collection até 4 de janeiro

iG Minas Gerais | Ron Cowen |

Ferramentas digitais foram usadas para recuperar áudio dos batimentos
dario robleto/divulgação site
Ferramentas digitais foram usadas para recuperar áudio dos batimentos

Nova york, EUA. As tentativas de gravar o padrão dos batimentos cardíacos humanos – as linhas onduladas tão conhecidas nos monitores hospitalares – remontam pelo menos a 1854, quando um cientista alemão pressionou uma placa pesada sobre uma artéria, ligada a uma espécie de caneta feita com uma mecha de cabelo, e traçou as pulsações em uma tira em movimento de papel escurecido pela fuligem de um lampião a óleo.

Agora, usando técnicas inovadoras de processamento digital para transformar desenhos ondulados repetidos em sons, um artista e um historiador sonoro converteram aquele padrão mudo de linhas no tum-tum-tum rítmico de um coração.

E ao trabalhar com um gráfico médico relativamente novo, eles ressuscitaram em som o pulso de um francês de 100 anos de idade, cujo coração começou a bater em 1769, 20 anos antes da Revolução Francesa.

O artista Dario Robleto estava pesquisando corações artificiais para uma instalação de arte conceitual em Houston, nos Estados Unidos, e conheceu o historiador Patrick Feaster, quando ambos eram bolsistas do Instituto Smithsonian em 2011.

Feaster já havia descoberto uma técnica de dar voz a padrões pictóricos que nunca foram registrados com a intenção de serem ouvidos, como os de um osciloscópio.

Juntos, os dois vasculharam antigas publicações médicas, mergulhando na história de como médicos do século XIX gravavam o pulso e o batimento cardíaco de pacientes, investigando a informação de uma forma nunca tentada.

“De certa forma, estamos trazendo de volta à vida esses processos fisiológicos”, disse Feaster, 43. “Não sei direito o que podemos aprender com essas gravações, mas existe certa sensação de acesso ao pulso ao ouvi-lo, e não acho que alguém o obteria apenas olhando para uma linha ondulada num pedaço de papel”, afirma.

Para O. H. Frazier, cirurgião cardíaco do Instituto do Coração do Texas, em Houston, e um dos inventores de um coração artificial sem batimento, as gravações “abrem uma nova arena a ser estudada”.

“Os sons do coração eram fundamentais nos diagnósticos cardíacos dos velhos tempos, quando a medicina era mesmo uma arte”, disse Frazier.

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