Angelo Oswaldo assume SEC

Ex-prefeito de Ouro Preto oficializa saída do Ibram e fala como novo secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais

iG Minas Gerais |

Angelo já comandou a pasta da cultura em Minas, entre 1999 e 2002
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Angelo já comandou a pasta da cultura em Minas, entre 1999 e 2002

Rio de Janeiro. Citado como um dos favoritos ao cargo de ministro da Cultura, em substituição a Marta Suplicy, que saiu do governo no início de novembro, o mineiro Angelo Oswaldo deixa a presidência do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) no próximo dia 31. Mas para assumir a secretaria de Cultura de Minas Gerais.

A saída foi oficializada na última terça-feira (23), num encontro com a presidente Dilma Rousseff, de quem ele é amigo. Ex-prefeito de Ouro Preto, Oswaldo ficou um ano e meio no cargo, período no qual precisou enfrentar a polêmica sobre o decreto que permite que bens culturais “passíveis de musealização” sejam declarados de “interesse público” e também uma greve das instituições federais às vésperas da Copa do Mundo.

“Eu e a presidente até brincamos sobre a especulação para o ministério”, diz Oswaldo, 67. “Vou para Minas com muito entusiasmo, por acreditar nas propostas do governador Fernando Pimentel (PT). Eu já fui secretário de Cultura de Minas entre 1999 e 2002, na gestão de Itamar Franco, e conheço o desafio. Temos que construir uma política pública para a cultura, com ampla participação da sociedade e atenção ao interior do Estado. Nos últimos anos, muitos projetos da secretaria se limitavam a Belo Horizonte, deixando o interior carente”.

No Instituto Brasileiro de Museus, Oswaldo diz ter focado suas ações em abrir as instituições para a sociedade. O Ibram foi criado em janeiro de 2009, a partir de um departamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e é responsável pela administração direta de 30 museus federais, mas tem como objetivo o planejamento de políticas para os 3.500 museus públicos e privados do país.

“Eles têm que ser dinâmicos. Antigamente, dizia-se que um museu fechava as portas para guardar acervo, mas hoje ele tem que abrir suas portas para compartilhar conhecimento. Há algumas semanas, por exemplo, eu estava no Rio, onde lancei com o prefeito Eduardo Paes o Passaporte Museus Cariocas, um projeto que integra as instituições à comemoração dos 450 anos de fundação do Rio. Todos os museus terão uma programação especial, assumindo um protagonismo de pensar a cidade”, diz Oswaldo.

O momento mais conturbado da gestão do mineiro no Ibram ocorreu no fim de 2013, pouco depois da publicação do Decreto 8.124, que regulamentou o Estatuto dos Museus e a criação do Ibram. O texto foi motivo de polêmica por permitir que bens culturais sejam declarados de interesse público, obrigando seu proprietário a informar anualmente o Ibram sobre o estado da obra, dar ao instituto preferência em caso de venda e também restringir transferências ao exterior.

“Fizeram um escândalo em cima disso, que atribuo a uma ação política contra o governo. Disseram que o decreto promoveria a desapropriação das coleções, que seria o fim do colecionismo. Tudo isso foi uma balela. O decreto apenas criou a possibilidade de proteção especial de alguns bens, para termos referência sobre nossas coleções. Ninguém vai desapropriar nada”, promete Oswaldo.

Agora, Oswaldo já se planeja para estar em Minas Gerais em 1º de janeiro, para a posse de Fernando Pimentel. Seu substituto no Ibram dependerá da escolha de quem vier a ser o novo ministro da Cultura. Até lá, o Ibram será gerido interinamente por Emerson Santos, assessor especial do gabinete do instituto.

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