Entre suaves acertos e adeus

Saída de apresentadores, reality show da Band e aposta na teledramaturgia da Globo são destaques deste ano

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Inovação. Apesar da baixa audiência, “Meu Pedacinho de Chão” foi elogiada por críticos pela aposta
globo / divulgação
Inovação. Apesar da baixa audiência, “Meu Pedacinho de Chão” foi elogiada por críticos pela aposta

Dificilmente um ano passa sem grandes bombas quando o assunto está relacionado à produção televisa e seus bastidores. Neste ano, uma das principais delas veio bem no finzinho: Xuxa pode não ter seu contrato renovado pela Globo. Em 30 anos de emissora, ela reinou como um dos principais nomes da Globo, protagonizando atrações como “Xou da Xuxa” (1986-1992) e “Planeta Xuxa” (1997-2002).

Nas últimas semanas, a saída de Xuxa da Globo era dada como certa. E especulações sobre o seu destino não faltaram. Entre todas elas, a que aponta como mais concreta é sobre sua negociação com a Record. Segundo publicação do jornalista Daniel Castro, em sua coluna Notícias da TV, as negociações já estariam avançadas. No entanto, há poucos dias Xuxa teria se reunido com Carlos Henrique Schroder, diretor geral da Globo, e apresentado propostas de atrações para a emissora.

O crítico e especialista em TV Flávio Ricco, por sua vez, diz que há também interesse de outras emissoras na apresentadora. “Silvio Santos quer falar com ela, chegou a marcar uma reunião, mas tiveram um problema de agenda e ainda não se encontraram. Se for para a Record, ela vai ganhar um salário alto, mas equiparado às grandes estrelas da emissora, como Rodrigo Faro”, adianta.

Ou seja, a permanência ou não da Rainha dos Baixinhos na Globo fica mesmo para o ano que vem.

Se Xuxa ainda é uma especulação, outras despedidas concretas ganharam manchetes: Patrícia Poeta deixou abruptamente a bancada do “Jornal Nacional”, assim como Marcelo Tas fez no “CQC”. No “Pânico na Band”, foi Wellington Muniz, o Ceará, que deixou para trás Emílio Zurita e companhia. Mas a saída da jornalista da emissora carioca foi a que mais gerou curiosidades. “A razão que tirou Patrícia dificilmente será revelada, talvez um dia. Sei que foi um problema de ordem interna. Mas sempre achei que a Renata (Vasconcellos) seria a substituta ideal para Fátima Bernardes. Deveria ter entrado antes”, comenta Ricco.

Mudança. Para quem gosta de reality shows e vem questionando a qualidade daqueles exibidos pelos canais abertos nos últimos anos, o “MasterChef”, produzido pela Band, chegou em boa hora. “É uma prova de que não basta apenas comprar um formato pronto. Eles fizeram muito bem, com jurados muito bons”, opina Ricco.

Merece ser notado também, para Ricco, a cobertura da Copa do Mundo feita, principalmente, pelos canais fechados. Segundo ele, nunca a televisão brasileira conseguiu tamanha abrangência com tanta qualidade. “O SporTV teve uns cinco canais dedicados a isso. A ESPN e a Fox também fizeram larga cobertura. Todas elas com muito maturidade e com equipamentos de última geração”, diz Ricco.

Teledramaturgia. Quando o assunto é novelas, 2014 deixou claro que o formato vem passando por dificuldades criativas. É por isso que o folhetim “Meu Pedacinho de Chão”, dirigido por Luiz Fernando Carvalho, ganhou tanto destaque perante críticos e especialistas em teledramaturgias.

“A melhor produção que a TV aberta exibiu em 2014. O remake da novela de Benedito Ruy Barbosa fugiu do óbvio, surpreendeu e encantou. O diretor extraiu desempenhos incríveis de atores veteranos como Juliana Paes, ousou na forma de narrar e apresentar a história, além de brincar com vários gêneros da televisão e do cinema”, disse o crítico Maurício Stycer em seu blog no portal Uol.

Enquanto as novelas amargam queda de receptividade, os seriados estão cada vez mais ganhando espaço na televisão brasileira. A Globo, por exemplo, apostou em produções seriadas, como “Amores Roubados”, estrelada por Cauã Raymond, e “Dupla Identidade”, protagonizada por Bruno Gagliasso.

Nos canais fechados, a produção brasileira que com certeza teve maior destaque foi “Sessão de Terapia”, dirigida por Selton Mello, e “Animal”, de Paulo Nascimento, ambas do GNT. E, embora tenham tido boa repercussão, não foram renovadas para 2015. “A produção de conteúdo nacional tem crescido muito, isso é importante para o mercado e para os nossos profissionais. A Globosat tem produzido muito e permitido experimentação em suas obras”, opina o diretor do site Vcfaz.tv, há 11 anos no ar, Ricardo Marques.

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