Páginas em branco

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A página ainda está totalmente em branco. Acabou de ser virada, assim como o novo ano. Portanto, é preciso encontrar as palavras certas para tecer as novas histórias. Alguns vão precisar recorrer ao capítulo anterior para traçar o recomeço. Outros, não. Seguirão firmes em propósitos ainda inéditos. Certo é que será preciso escrever, reescrever ou preencher as próprias vidas. É necessário criar seus caminhos. Hora de fazer escolhas. Na minha página vazia, a primeira palavra, sem dúvida, será saúde. A do corpo e a da alma. É a partir do substantivo que pretendo começar. Nos últimos dias, acompanhei os desejos de muitas pessoas. Tanta gente fazendo promessas e projetos. A maior parte aflita por bens materiais. Além do dinheiro, querem status, sucesso, gente ao redor, olhares. Não que eu desconsidere os itens citados. Mas não dá para conquistar ou desfrutar de absolutamente nada sem ter saúde. Ver de perto corpo e mente de gente querida se deteriorando amplia o conceito de qualquer um sobre a grandiosidade desse bem. Podemos enfrentar tudo se nos sentimos fortalecidos. Simples assim: saúde para seguir e escrever tantos outros sentimentos e ações. Minha amiga Milene optou pela verdade, em todos os sentidos que a palavra se apresenta. Num primeiro momento, pode parecer uma decisão um tanto quanto abstrata. Mas não é para quem conviveu com a ausência de sinceridade. A verdade dos fatos exerce grande importância no julgamento da ações humanas. Quando uma pessoa deixa dúvidas, quebra elos e também confiança. Para a jovem pensadora, a verdade vai trazer transparência e certamente mais sorrisos. Lidar com o justo, com o real nos permite ser mais generosos e nos cercar de amigos verdadeiros. Mesmo que, às vezes, eles precisem nos dizer palavras duras. Tudo bem, se trouxer o bem. Letícia significa alegria e é o próprio reflexo dela. Ontem, perguntei a ela o que deseja escrever no capítulo deste ano. Sem medo de assustar, não titubeou: sua palavra será o sexo. Bonita, solteira e de bem com a vida, a jovem quer aventura. “Se o amor vier também, ótimo. Mas quero adrenalina, intensidade”, disse naturalmente, sem perceber que completava o contexto das próprias expectativas. Amanda é a enfermeira que sonha em ser médica. Logo, a palavra dela é medicina. Poderia também ser trocada por estudo, empenho e coragem. Para ter um salário digno e manter um bom padrão de vida, é preciso trabalhar em mais de um hospital. Também faz bicos em festas open bar, onde as pessoas exageram na bebida e necessitam de atendimento. Como médica terá mais reconhecimento, poderá ministrar os remédios e quem sabe salvar vidas. Vidas como a de seu Jair, homem de bem que sofre com as consequências da depressão em um leito de hospital. Aparenta ter 60 anos, mas provavelmente já passou dessa idade. Não pude perguntar a ele qual seria sua palavra. Por isso, vou escolher em nome daquele senhor que anda confuso com seus desejos. Opto, então, por esperança. Pela crença que algo é possível mesmo quando há indicações contrárias. Maria vai escolher a fé, Thiago deu indícios de que continuará prezando pelo orgulho (problema dele). Juliana abre a página com o fortalecimento das amizades, e Antônio prefere centrar foco na família. Serenidade, amadurecimento, coragem, alegria, companheirismo, anarquia, protestos... São muitas palavras, inúmeros conceitos, diferentes escolhas. O importante é que, de alguma forma, elas sejam feitas. Olhe para dentro, faça as suas ou simplesmente deixe-as acontecer. Texto originalmente publicado no dia 3 de janeiro de 2014

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