Petrobras cria comitê para auxiliar investigações e convida Gracie

Criação foi aprovada pelo conselho de administração da estatal; outro integrante é o alemão Andreas Pohlmann, que foi diretor de 'compliance' da Siemens, ente 2007 e 2010

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Fellipe Sampaio/SCO/STF
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A Petrobras informou, na noite dessa terça-feira (23), ter criado um Comitê Especial que vai atuar como interlocutor das investigações independentes sobre corrupção que estão sendo conduzidas por dois escritórios contratados pela empresa. A ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Ellen Gracie é um dos três integrantes que vão compor o grupo.

A criação foi aprovada pelo conselho de administração da Petrobras. Outro integrante é o alemão Andreas Pohlmann, que foi diretor de 'compliance' da Siemens, ente 2007 e 2010, e sócio fundador de uma consultoria especializada em governança, a Pohlmann & Company.

O terceiro integrante será o diretor de 'compliance', que está sendo escolhido por uma empresa de seleção de executivos, e cuidará de que a Petrobras observe e atenda a todas as normas internas e externas em seus negócios.

Segundo a estatal, o Comitê Especial vai atuar "de forma independente" e falará diretamente ao conselho de administração da companhia. As atribuições serão aprovar o plano de investigação, analisar as informações enviadas pelos escritórios, zelar pela independência e livre ação dos apuradores, além de comunicar às autoridades as descobertas e achados.

O relatório final de investigação também será atribuição do novo comitê.

No fim de outubro, após as denúncias do ex-diretor Paulo Roberto Costa à Justiça, de que havia um esquema de corrupção na empresa, a auditoria externa da Petrobras, a PwC, determinou à companhia que aprofundasse as investigações internamente, para entender o efeito e a extensão da corrupção.

Segundo Costa, empreiteiras se uniram em cartel para fraudar licitações, cobrando pagamentos extras de 3%, que seriam divididos entre os participantes do esquema, entre eles diretores da companhia, e partidos políticos.

Com a determinação da PwC, a Petrobras contratou o escritório brasileiro Trench, Rossi e Watanabe, além do americano Gibson Dunn & Crutcher. Ambos se apresentam como especializados na FCPA, a lei anticorrupção americana para empresas estrangeiras que atuam nos EUA.

Em novembro, a Petrobras aprovou a criação de uma nova diretoria, de 'compliance', como mais um esforço da empresa em melhorar sua governança. A empresa de seleção de executivos apresentará, até meados de janeiro, uma lista com três executivos do mercado habilitados ao cargo, e o conselho de administração da empresa fará a escolha do chefe da nova área.

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