Ensino médio falha em matemática

Mais de 90% dos alunos se formam sem aprender matéria; mais de 70% também não sabem português

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

De cada dez estudantes que concluíram o ensino médio em 2013, pelo menos nove não conseguiram aprender matemática. De acordo com pesquisa feita pelo movimento Todos pela Educação com informações do Ministério da Educação, apenas 9,3% dos estudantes aprenderam o conteúdo considerado adequado para o período – índice menor do que o registrado em 2011 (10,3%). Os números são baseados no resultado da Prova Brasil e do Sistema de Avaliação Básica (Saeb), aplicados em 2013.

Os dados mostraram que o aprendizado em português também apresentou queda. Na avaliação feita no terceiro ano do ensino médio, 29,2% dos alunos tiveram um aprendizado adequado em 2011, contra 27,2% em 2013.

Já no ensino fundamental, o quinto ano foi a única etapa que apresentou melhoria. Passou de 40% de alunos com aprendizado adequado em português, em 2011, para 45,1% na última avaliação, e de 36,3%, em matemática, para 39,5%. No nono ano, a quantidade de alunos com aprendizado adequado em português passou de 27%, em 2011, para 28,7%, em 2013. Em matemática, o indicador apresentou queda, de 16,9% para 16,4%, respectivamente.

Avaliação. Para o professor de matemática do YouTube Rafael Procópio, a descontinuidade do aprendizado iniciado no ensino fundamental acontece porque a matemática exige pré-requisitos. “Mesmo com uma pequena melhoria no ensino fundamental, o aluno não aprende tudo o que deveria aprender e chega com lacunas no ensino médio. Então, refazer tudo e conseguir sucesso é impossível”, avalia.

A especialista em educação pela Universidade de São Paulo (USP), Sueli Lima, também reconhece as deficiências, mas afirma que o problema não está nas matérias, mas é estrutural.

“A educação é uma trama que não pode ser vista só por um lado. A matemática e o português são reflexos de um sistema, indicadores de um problema. Para resolvê-lo, é necessário criar um pensamento sistêmico voltado para todas as outras áreas implicadas e que vão gerar o resultado. É preciso discutir a prática da educação: quem está fazendo? Como? Quando? É preciso criar um plano comum e pensar a educação como uma prática intersetorial”, afirma a coordenadora da ONG Arte de Educar.

Uma reforma dos métodos de ensino, que inclua as novas tecnologias, e também uma revisão do currículo que é ensinado em sala de aula, é o que defende a diretora executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.

“É o terceiro ano consecutivo em que cai o aprendizado em matemática, e agora caiu também em português. É um grito de socorro. O ensino médio está piorando no Brasil”, diz. (Com agências)

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