Lobão nega ligação com desvios

Citado na delação de Paulo Roberto Costa, ministro anuncia saída da pasta de Minas e Energia

iG Minas Gerais |

Mancha. Após seis anos como ministro, senador sai sob acusação de que teria envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras
Antonio Cruz
Mancha. Após seis anos como ministro, senador sai sob acusação de que teria envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras

Brasília. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), disse ontem que deixará o cargo no dia 1º de janeiro e negou estar envolvido em qualquer esquema de desvio de recursos da Petrobras. Lobão foi citado pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa em depoimento que faz parte de acordo de delação premiada na operação Lava Jato. O nome do ministro também aparece numa lista de pessoas com foro privilégio que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa se serão ou não processadas em decorrência da operação.

O ministro afirmou que até agora não sabe do que está sendo acusado e, por isso, não pode fazer sua defesa de forma adequada. Mas adiantou que não tem responsabilidade sobre atos da empresa. “Só posso responder quando souber o que se alega contra mim ou se há alguma alegação contra mim. Digo e repito que não devo nada. Estou isento de qualquer culpa, venha ela de onde vier”, afirmou.

Lobão também defendeu a gestão da atual presidente da empresa, Graça Foster, a quem qualificou de gestora rigorosa e séria. “Graça tem feito tudo o que pode para colocar a Petrobras nos trilhos. Ela é uma administradora forte e, no que depender dela, tudo se corrigirá rápido e bem”. Segundo ele, a empresa é fiscalizada com rigor, seja por auditorias interna e externa e também pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que, segundo ele, solicita ao ano mais de cem mil documentos à companhia.

Mas, para Lobão, mais fiscalização é sempre uma boa medida. “A Petrobras não está solta no espaço. Ela é fiscalizada. No que depender dela (Graça Foster), tudo se corrigirá rápido e bem”, disse.

O ministro admitiu, no entanto, que a crise pela qual passa a Petrobras é séria e “envolve todo o país”, mas afirmou que se trata de uma crise circunstancial. “Crises parecem ser da natureza das nações. Trata-se de uma crise circunstancial, que não tem origem sólida e não vai se projetar no tempo. O governo não tinha conhecimento de desvios e está lidando com as circunstâncias”, afirmou.

Sem citar o nome do seu substituto – até ontem o nome cotado era de Eduardo Braga (PMDB-AM) – Edison Lobão disse que o novo titular encontrará um ministério organizado e planejado.

Após seis anos na Minas e Energia, Lobão voltará a ser senador em janeiro. Ele afirmou que seu partido continuará ajudando o governo. “O PMDB tem sido solidário e eficiente. Pode haver alguma divergência, mas não guerra, nem falta de apoio ao governo”.

Transição

Dados. De acordo com o ministro Edison Lobão, nos próximos dias o novo titular da Minas e Energia irá receber os dados necessários para um breve período de transição da pasta.

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