Mineiro também sabe surfar

Viagens para o litoral e realização de campeonato provam amor pela modalidade

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Na onda. 
Turma de surfistas mineiros não se importa com a distância de Minas para o mar e sempre vão praticar no litoral do Rio
RICARDO MALLACO
Na onda. Turma de surfistas mineiros não se importa com a distância de Minas para o mar e sempre vão praticar no litoral do Rio

O famoso ditado que diz que “se Minas não tem mar, vamos para o bar” não se encaixa em um grupo de surfistas da capital mineira. Apesar de o Estado não ter o privilégio de um oceano por perto, esses apaixonados pela modalidade – que tem Gabriel Medina como o primeiro brasileiro campeão mundial –, fazem o que podem para matar a saudade da prancha e das manobras.

Uma das grandes alegrias do grupo é participar do Campeonato Mineiro de Surf, que já acontece há oito anos seguidos, no Rio de Janeiro. “Começamos a fazer o torneio em Búzios, mas lá só tem onda de um lado. Então, tinha dia que era complicado se a ondulação não ajudasse. Teve situações em que fomos pegos desprevenidos. Decidimos mudar para a praia da Macumba”, conta Kaú Cavalcanti, organizador do torneio, ao lado do irmão Duca, que já foi profissional e hoje mora na Cidade Maravilhosa.

Mesmo debaixo de uma chuva fina, eles não pensaram duas vezes antes de acordar cedo para uma sessão de fotos para divulgar o esporte pelo qual são aficionados. A alegria de poder se encontrar era grande, já que a turma costuma estar reunida somente no mês de agosto, quando o Mineiro de Surf costuma ser realizado.

REDUTO. A proximidade do Rio de Janeiro faz com que a cidade seja o lugar mais fácil para os surfistas mineiros irem assim que encontram um tempo livre. “Já fui para o litoral Norte de São Paulo e para o Espírito Santo. Mas, normalmente, vou para o Rio mesmo. Saio na sexta e volto domingo, já pensando quando será a próxima vez”, admite Josué Soares, o Tié, tenente e bombeiro militar, que tenta ir ao Rio, pelo menos, uma vez por mês.

Mesmo tendo descoberto o surfe há apenas dois anos, Tié garante que as brincadeiras de muitos acabam assim que a turma entra na água. “Claro que existem provocações, mas quando o pessoal percebe que também sabemos surfar, elas ficam de lado. Muitos competem de igual para igual com quem mora em cidades litorâneas”, indica.

Por mais que o Rio de Janeiro seja a cidade preferida, muitos já “droparam” em algumas das melhores ondas do mundo. “Um dos integrantes do grupo estava em Pipeline, vendo de perto o título do Medina. Outros já foram para lugares também distantes, como Costa Rica e Indonésia”, aponta Kaú.

Sensação. Para ele, qualquer pessoa “corre o sério risco” de fazer parte do grupo. Basta conseguir remar e pegar as primeiras ondas. “Você vai entender quando ficar em cima de uma prancha e sentir o vento soprando no rosto. Surfar é algo único. O espírito do surfe nos faz querer conhecer novos lugares e pessoas, viajar constantemente e descobrir novas ondas. É algo encantador”, afirma Kaú. Tié vai na mesma linha. “É um caminho sem volta, não tem saída”, sugere.

Vício bom

“Surfar é um caminho sem volta. Vou para o Rio de Janeiro na sexta e, quando chegar o domingo, já estou pensando quando será a próxima oportunidade que vou ter de rever o mar. Quando entramos na água, as provocações acabam na hora.”

Josué Soares - surfista mineiro

Descobertas

“Quando você conseguir ficar em cima de uma prancha e sentir o vento soprando no rosto, você vai entender. Surfar é encantador. Todo surfista tem essa coisa de querer descobrir novos lugares e conhecer pessoas.”

Kaú Cavalcanti - organizador do mineiro de surfe

Alternativa

Sem mar. Alguns surfistas mineiros, na época de cheia do Rio Doce, em Governador Valadares, aproveitam a maior quantidade de água para “dropar” algumas ondas na cidade do interior.

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