‘Não existe lugar na Terra sem som’

iG Minas Gerais |

Nova York. Relatório recente publicado no “The American Journal of Audiology”, financiado pelo Hyperacusis Research em conjunto com a Fundação da Saúde Auditiva, destaca o quão pouco se sabe acerca da hiperacusia com dor provocada por ruídos, e a terminologia confusa e enganosa envolvendo o sintoma.

“Palavras como ‘sensibilidade’ fazem parecer que o som está mais alto ou forte”, disse Bryan Pollard, presidente da Hyperacusis Research. Todavia, quando a audição é dolorosa de forma ativa, “tentar uma vida normal é impossível. Não existe lugar na Terra sem som”.

Os pacientes mal e mal aguentam uma mesa de jantar, onde vozes em tom comum e pratos que batem podem provocar dor auditiva que dura horas, dias ou mais. A dor costuma vir acompanhada pela sensação de pressão conhecida como plenitude aural (ouvido cheio), além de zumbido.

Três anos atrás, Ann Lesky, então professora de matemática de Newton, em Massachusetts, foi submetida a um assovio a poucos centímetros de um ouvido. A dor foi excruciante. Em questão de uma hora, o zumbido começou, parecendo uma chaleira assobiando.

Sofrendo com a dor do barulho da sala de aula, Lesky teve de abandonar o emprego. A dor, que ela descreve como uma “vara metálica perfurando e revirando o canal auditivo”, sempre se faz presente no ouvido ruim. O zumbido afeta os dois ouvidos.

De acordo com ela, barulhos que surgem de repente são os mais difíceis de lidar. “Sempre fico pensando qual ruído vai doer e como o evitarei. A qualidade da minha vida é quase insuportável. Meu único conforto é o silêncio”. (JC/NYT)

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