Moringas artísticas em exposição

Museu da UFMG explora universo da cerâmica do Jequitinhonha

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Moringa trípode do artista Ulisses Pereira, um mestre do gênero
MHNJB - UFMG / DIVULGAÇÃO
Moringa trípode do artista Ulisses Pereira, um mestre do gênero

Reconhecida como uma das mais valiosas expressões da arte popular mineira, a cerâmica produzida no Vale do Jequitinhonha é o tema de uma exposição no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG.

Batizada de “Moringas do Jequitinhonha: Memória Preservada”, a mostra percorre um tipo de obra muito particular da região do município de Caraí, que nasceu da necessidade dos moradores do local.

Montada a partir do próprio acervo de arte popular do museu, que coleciona cerca de 500 peças do Jequitinhonha – uma das maiores coleções do gênero no Brasil –, a exposição mostra 39 moringas. “Segundo nosso consultor, o pesquisador Joubert Cândido, naquela região não existem cabaças, por isso o povo desenvolveu essa habilidade de criar essas peças a partir do barro. O que era puramente utilitário se tornou enfeite e agora é considerado muito valioso em termos artísticos”, explica a museóloga da instituição, Cláudia Cardoso.

A maior parte das peças do acervo foi produzida em meados de 1970, fase extremamente rica para a arte do Jequitinhonha – mas descoberta pelo mercado somente décadas mais tarde. Um dos maiores mestres ceramistas da região foi o artista Ulisses Pereira, considerado um dos maiores escultores brasileiros do século XX e morto em 2006. A exposição conta com peças dele e outras atribuídas a sua família, como a sua irmã Ana Rodrigues.

“Como o mercado ainda não os havia descoberto, os ceramistas não produziam em escala, como hoje. Assim, todas as peças são únicas, trazem um tipo de ingenuidade muito característica”, diz Cláudia. “Quem se interessa pela arte produzida no Jequitinhonha vai adorar a exposição”, diz.

E para quem pensa que moringas são todas iguais, a mostra traz peças antropomorfas, que como o nome adianta, são feitas em formas humanas, chamadas de “moringas bonecas”, e outras em formato de animais, como as de galinhas. “As que chamam mais a atenção são as típodes, com três pés, que têm caráter tanto utilitário como decorativo”, disse a museóloga.

Trazida do Norte de Minas Gerais, grande parte das peças chegou à capital para compor o acervo da Escola de Belas Artes da UFMG pelas mãos da artista mineira Yara Tupynambá, quando ela foi diretora da instituição e depois foi incorporada à coleção do museu.

Agenda

O quê. Abertura da exposição “Moringas do Jequitinhonha: Memória Preservada”

Onde. Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG (rua Gustavo da Silveira, 1.035, Santa Inês)

Quando. Hoje, às 14h (de terça a sexta-feira, das 9h às 16h;0 sáb. e dom., das 10h às 17h) Temporada indeterminada.

Quanto. R$ 4 (entrada para o museu)

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