A BH instrumental

É crescente a quantidade de artistas que traçam trajetórias autorais no estilo

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Parcerias. Heliodoro novamente com o parceiro de vários trabalhos, o bate-rirista Felipe Continentino
douglas magno/divulgação
Parcerias. Heliodoro novamente com o parceiro de vários trabalhos, o bate-rirista Felipe Continentino

A parte boa de se viver em uma cidade grande costuma ser a maior oferta de inúmeros serviços e também de expressões artísticas. Quanto mais uma metrópole aspira a ser “do mundo”, maior diversidade ela é capaz de oferecer. Quando se mira o cenário da música erudita de Belo Horizonte e sua crescente produção, é possível dizer que a capital das alterosas mostra alguma vocação cosmopolita. “Atualmente, há uma oferta muito grande de espaços que recebem esse tipo de programação”, comenta Celina Szrvinsk, professora da Escola de Música da UFMG e responsável pela programação do Conservatório da UFMG e da série de concertos de música de câmara, promovida pelo Minas Tênis Clube, no Teatro Bradesco.

Ela tem razão. E não só pela oferta de novos, como também com mais pessoas trabalhando com a música clássica, já que a cidade conta com duas grandes orquestras: a Sinfônica e a Filarmônica. A última fez seu primeiro concerto em fevereiro de 2008 e se prepara para inaugurar a Sala Minas Gerais, próximo ao Circuito Praça da Liberdade, em 2015.

Um dos caminhos mais comuns para os músicos envolvidos nas orquestras é traçar trajetórias paralelas com trabalhos autorais. “Eu sobrevivi 22 anos tocando em orquestras”, comenta Cid Ornellas, instrumentistas de violoncelo e contrabaixo clássico. “Tem um lado positivo (em tocar em orquestras) que permite ao músico se aprimorar, estudar as teorias da música. E se é de interesse dele, ele pode se transformar em um solista. No meu caso, as minhas raízes falaram mais alto”, afirma. Ele se refere à influência que o seu irmão mais velho Nivaldo, também músico, saxofonista, provocou em seu gosto ao apresentá-lo ao jazz (Ornellas fala como seus contemporâneos do Clube da Esquina que aportuguesam o nome do gênero criado em Nova Orleans).

“A música instrumental mineira tem um diferencial da Folia de Reis, das coisas do nosso folclore, misturadas com a bossa-nova e o jazz. A minha trajetória é justamente essa: do congado, da Folia de Reis, na casa dos meus pais no bairro Nova Suíça (na Zona Oeste, de Belo Horizonte), a influência do meu irmão. Creio que esse seja nosso perfil. Gosto do musical influenciado pelos pais, pela família, às vezes, com uma formação erudita ou gosto pelo música popular”, comenta Ornellas.

Frederico Heliodoro, e seu contrabaixo acústico, vem de uma geração mais nova de músicos que costumam tocar seu projetos em parcerias, por vários espaços da cidade, alguns já distintos por sua relação com a música instrumental, outros menos. “As pessoas estão acostumadas a ter a música muito fácil”, reclama. “Eu não faço ambiente para o camarada beber cerveja e paquerar as meninas. Não faço música ambiente”, pontua. Acompanhado por seus parceiros, Heliodoro faz parte de O Vitelo C, coletivo de improvisação musical que conta com dois dançarinos em suas apresentações. Heliodoro vive “apenas” dos projetos de música, sem emprestar sua mão de obra para outras atividades.

Ser economista e administradora de empresas e se dedicar ao estudo do piano clássico não são forças antagônicas para Sandra Almeida, que há quase 30 anos faz um duo de piano a quatro mãos com Cristina Guimarães. “Não tenho a menor frustração como artista. É uma opção de vida. Para qualquer profissão é preciso persistência, saber administrar sua carreira, não adianta apenas se preparar tecnicamente para tocar bem”, pondera.

Longe de um hobby, ou mesmo de uma segunda profissão, o piano é uma opção de vida para Sandra, “É uma profissão, certamente! Estamos juntas desde 1987, é um trabalho muito intenso, não é ocasional. Eu e Cristina já viajamos para várias cidades e onde tem escola de música, a gente sempre estimula formação de duos. ou trios”, finaliza.

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