Em carta a Obama, filha de dissidente cubano pede compromissos

Rosa María afirma concordar com a alegação de Obama de que o embargo econômico a Cuba não funcionou nos últimos 50 anos; seu pai, o dissidente Oswaldo Payá, morreu em 2012 num acidente de carro em Cuba

iG Minas Gerais | Folhapress |

A filha do conhecido dissidente cubano Oswaldo Payá (1952-2012), Rosa María, escreveu uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pedindo que haja compromisso do governo norte-americano com a população cubana, não com o regime comunista de Raúl Castro.

No texto, publicado pelo jornal "Washington Post", Rosa María afirma concordar com a alegação de Obama de que o embargo econômico a Cuba não funcionou nos últimos 50 anos. "Mas não há nada novo em tratar como 'normal' o governo ilegítimo em Havana, que nunca foi eleito por seus cidadãos", diz.

Segundo ela, essa estratégia já vem sendo adotada por todos os outros governos do mundo sem que gerasse quaisquer consequências positivas para a democracia na ilha caribenha. "Novo seria se comprometer realmente com o povo cubano, com ações concretas que apoiem as demandas dos cidadãos", afirma. "Nós não precisamos de táticas intervencionistas, mas sim de apoio para as soluções que nós cubanos já criamos."

"Nós esperamos que sua administração, o Vaticano e o Canadá apoiem nossas demandas com a mesma intensidade e boa vontade com a qual apoiaram o processo de reaproximação com o governo cubano." Para Rosa María, o regime cubano decidiu que precisa mudar sua imagem, e por isso optou pelo relaxamento em algumas áreas "enquanto mantém seu poder."

"Senhor presidente, suas leis não são o que está evitando um mercado livre e o acesso à informação em Cuba; é a legislação do governo de Cuba e sua censura constante."

Oswaldo Payá morreu em 2012 num acidente de carro em Cuba. As circunstâncias da morte, numa estrada próxima à cidade de Bayamo (744 km ao leste de Havana), foram questionadas pela família e por opositores do regime. Payá, de 60 anos e líder do Movimento Cristão Libertação (MCL), viajava com outro ativista cubano, Harold Cepero Escalante, quando o carro em que estavam bateu em uma árvore.

Na carta, Rosa María também pede que o governo norte-americano apoie uma investigação independente do acidente.

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