Dilma Rousseff renova confiança na presidência da Petrobras

"Graça é uma pessoa ética; ela disse que se toda esta situação prejudicar o governo ou a Petrobras, colocaria seu cargo à disposição sem problemas; eu disse a ela que não era necessário", declarou Dilma

iG Minas Gerais | AFP |

ROBERTO STUCKERT FILHO/ABR 13.2.2012
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A presidente Dilma Rousseff renovou nesta segunda-feira (22) sua confiança na presidente da Petrobras, Graça Foster, mas antecipou que fará mudanças no conselho administrativo da empresa mergulhada em um imenso escândalo de corrupção. Dilma disse achar "absurdo" o alto montante de dinheiro desviado por alguns funcionários da empresa. 

"Graça é uma pessoa ética. Ela disse que se toda esta situação prejudicar o governo ou a Petrobras, colocaria seu cargo à disposição sem problemas. Eu disse a ela que não era necessário", declarou Dilma em um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.

Apesar das declarações da presidente, integrantes do próprio governo afirmam que a saída da executiva é iminente e deve se dar no ano que vem. Questionada sobre possíveis nomes para substituí-la, a petista classificou-se como "perplexa" com as especulações de que busca um nome de mercado para o posto.

"A Petrobras não é uma empresa simples, não é trivial", disse. "Alguém que destruiria todo o choque de governança? Não podemos interromper hoje o processo", complementou.

Balanço auditado 

A presidente afirmou que sem saber o teor das delações premiadas não há como o balanço da empresa ser lançado. Ela contou que já pediu ao Ministério Público informações sobre as delações para que possa informar o tamanho dos desvios, exigência para que o balanço possa ser auditado.

"Ele [Ministério Público] não pode demorar anos sob pena de comprometer o país", disse. "Eu não acho que vai demorar", completou. 

"Não vamos compactuar com qualquer processo de enfraquecimento da Petrobras. Ela tem um caixa que permite a ela passar esse ano sem recorrer ao mercado. [...] É importante que se saiba todo o teor das delações premiadas porque não vamos saber o que foi tirado dos cofres. A gente precisa dar baixa, tem que lançar como prejuízo", disse.

Novos ministros

A presidente Dilma Rousseff disse que vai anunciar os novos ministros de seu governo até o próximo dia 29 e antecipou que fará consultas ao Ministério Público (MP) antes de decidir. “Eu consultarei o MP mais uma vez. Para qualquer pessoa que for indicar, eu consultarei”, afirmou

A sinalização esperada pelo governo é sobre nomes citados nas delações premiadas de presos pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga irregularidades em negócios da Petrobras. Durante café da manhã com jornalistas, Dilma lembrou que tem pedido informações ao órgão, mas completou: “Eu só quero que me diga sim ou não. Não quero saber o que eles não podem me dizer”.

Denúncias

Ainda em relação às denúncias envolvendo a estatal, Dilma informou que vai anunciar, depois dos ministros empossados, o segundo escalão do governo que envolve diretorias de bancos e instâncias consultivas, como o Conselho de Administração da Petrobras.

“Até por consideração com o novo ministro. Sem ter nomeado o ministro de Minas e Energia, como eu indico um conselho que é subordinado a ele?”, explicou.

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