Festival de fim de ano da família Tiso homenageia Ivan Vilela

Tradição musical da região é comemorada em grande evento, que está em sua 11ª edição

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

O músico Ivan Vilela tem a viola caipira como sua especialidade
ivan vilela/divulgação
O músico Ivan Vilela tem a viola caipira como sua especialidade

Acontece nesta terça a 11ª edição do Encontro dos Músicos de Alfenas, região Sul de Minas Gerais. Idealizado e ciceroneado pela família Tiso, bastião musical desse canto do Estado, o festival recebe como atração principal o instrumentista e pesquisador Ivan Vilela, especialista em viola caipira e no legado do Clube da Esquina, e amigo pessoal da família. Vilela é professor do instrumento na ECA-USP, esteve à frente da Escola Filarmônica de Viola, além de divulgar o gênero em apresentações em todo o mundo.

No festival, que acontece no espaço de eventos Cafezal em Flor, ele ainda ministra o workshop “Viola: história e possibilidades técnicas”, com entrada gratuita.

O evento é conhecido como uma confraternização quase familiar. “Muitos dos músicos e amigos da família, que moram fora, vêm à cidade nesta época do ano para o Natal. Por isso essa festa deu muito certo”, conta Isaura Tiso, idealizadora do evento. “A comemoração foi crescendo a cada ano. Hoje, há bandas extintas que retomam suas formações apenas para participar”, diz. Na 11ª edição, farão parte também grupos que marcaram a história musical de Alfenas em diferentes épocas, como Quarteto Sentinela, Atenas Express, Grooviola, Trio de Trem e Compasso Lunar.

Retorno. Principal homenageado do festival, Ivan Vilela, ironicamente, não se apresenta em Alfenas desde 1982, por isso, garante que seu repertório será um apanhado de toda a carreira. “Meus primeiros passos musicais foram com André Tiso. Em meu próximo disco há, inclusive, duas canções compostas por ele. É uma honra estar presente nesse evento tanto tempo depois”, diz.

Sobre a viola, ele afirma: “Sempre foi um instrumento muito depreciado em função do êxodo rural. Tento mostrar sua potencialidade universal que se mostra através das cordas duplas, singularidade tímbrica e sonoridade particular”, afirma. O músico conta que uma de suas experiências mais marcantes foi o show que fez na faculdade de música de Colônia, na Alemanha. Em outro, no ano passado, nos Estados Unidos, era atração principal do festival e só ficou sabendo disso na hora de se apresentar. “Mais do que a música, a sensibilidade é universal. E ela pode ser transmitida através de qualquer instrumento”, acredita.

Agora, Vilela volta a Minas Gerais para ensinar e celebrar o instrumento que o tornou famoso em todo o mundo.

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