Novatos patinam nas regras, mas sabem salários de cor

Sem conhecer regimento da Casa, deputados estreantes já começaram a contratar funcionários

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Morador de Uberlândia, Felipe Attiê vai pedir auxílio-moradia para aluguel em BH
DENILTON DIAS / O TEMPO
Morador de Uberlândia, Felipe Attiê vai pedir auxílio-moradia para aluguel em BH

O salário, o número de funcionários e os benefícios estão na ponta da língua. Já os assuntos que estão sendo mais debatidos no plenário da Assembleia são desconhecidos para boa parte dos 26 novatos que irão assumir uma cadeira na Casa em fevereiro. Os embates das últimas semanas no futuro local de trabalho dos eleitos não despertaram o interesse do grupo estreante.  

Apesar de não terem muito conhecimento sobre a rotina de trabalhos e o regimento interno da Casa, um interesse chama atenção: alguns parlamentares começaram a contratar sua equipe três meses antes da posse. Todos, contudo, revelaram saber o salário de R$ 20.042.

“Não me preocupei com os projetos porque eles irão mudar com a legislatura. Não li o regimento todo, mas vou estudá-lo em janeiro”, afirmou Felipe Attiê (PP). Em seu quinto mandato como vereador de Uberlândia, ele diz conhecer a estrutura que irá encontrar na capital. “São 23 assessores. Estou tendo problema porque, na Câmara, tinha mais funcionários. Estou fazendo uma transição de gabinetes e vou ter que deixar algumas pessoas de fora”, lamenta. A primeira contratação foi para o cargo de assessor de imprensa. “É importante manter contato com os jornalistas”.

O deputado pedirá o auxílio-moradia de R$ 2.850. “É uma ajuda. O trânsito é muito ruim. Tenho que morar perto da Assembleia. O apartamento fica em R$ 4.500”, reclama Attiê.

Thiago Cota (PPS), aos 29 anos, será o caçula da Assembleia. Ele demonstra ter poucos conhecimentos sobre a Casa e diz que tem estudado o regimento. “Já sei de várias coisas, como o dia que temos que estar na Casa. Mas venho buscando aprofundar mais”, disse, sem detalhar mais conhecimentos sobre o Legislativo. Em relação aos benefícios, Cota diz não se preocupar muito com isso. “Sei o básico, que podemos ter 23 funcionários. Temos alguns nomes”.

Fábio Avelar (PTdoB) quer compensar a sua falta de conhecimento e experiência na Casa contratando uma equipe que já trabalha na Assembleia. “Como sou o candidatado da inovação, que não tem conhecimento da Casa, preparei pessoas que conhecem o regimento para me auxiliar. Não sei os assuntos, mas vou me inteirar”, adianta.

Márcio Santiago (PTB) diz que tem acompanhado algumas pautas, mas não soube citar nenhuma delas. “Já tenho alguns nomes do gabinete, mas sei que vou precisar do auxílio-moradia, pois moro em Juiz de Fora”, avisa.

PL popular se manterá na pauta Com a mudança de legislatura, o único projeto que será mantido para 2015 é o de iniciativa popular que propõe a criação de cursos de graduação à distância nas instituições de ensino superior do Estado. Entre uma legislatura e outra, só os projetos de iniciativa popular, os de autoria do governador que tenham caráter de urgência ou os vetos têm continuidade. Os demais são arquivados. Serão enterrados o texto que previa o aumento de 4,62% dos servidores de Minas, o da reeleição da Mesa Diretora e do Orçamento Impositivo, por exemplo.

Atuação

Propostas. Se os futuros deputados ainda não sabem muito sobre a rotina de trabalho, já definiram as áreas em que irão atuar. Márcio Santiago quer lutar pelo combate às drogas; Thiago Cota, por turismo e cultura; Felipe Attiê quer apoiar a construção de casas populares; Fábio Avelar diz que trabalhará por mais saúde e segurança. Alianças. Attiê diz que será oposição ao governo de Fernando Pimentel (PT). Fábio Avelar, que se intitula “um meteoro na política”, por ter saído de uma vice-prefeitura de Nova Serrana para a Assembleia, diz que será independente, mas com tendência a apoiar Pimentel. Márcio Santiago ainda não decidiu de que lado estará em 2015.

Benefícios e estrutura disponíveis

Equipe: cada gabinete pode contratar 23 assessores. Auxílio-moradia: R$ 2.850 para quem não tem casa na região metropolitana de BH.

Verba indenizatória: Eles têm direito a R$ 20 mil por mês para gastos com aluguel de carros e imóveis, gasolina e divulgação do mandato. Viagens. O deputado pode viajar quantas vezes quiser por ano desde que em representação da instituição e tem direito a dois deslocamentos por semana para a base.

Ajuda de custo: Eles recebem R$ 20.042 (um salário) no primeiro e no último mês do mandato.

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