Marcos Troyjo

Professor da Universidade de Columbia

iG Minas Gerais |

Arquivo pessoal
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Nos últimos 12 anos, o Brasil apostou em um dos polos de uma América Latina de “duas velocidades”. Colocou muitas fichas na suposta aliança entre os regimes mais à esquerda e não priorizou relações com os Estados Unidos. Nossa região passa por um movimento de “rearrumação das camadas tectônicas”. Com isso, temos a consolidação de dois grupos com velocidades diferentes. De um lado, um polo socialista-bolivariano, que se baseia na expropriação de estrangeiros da posse dos meios de produção, na confrontação ideológica com os EUA e na onipresença do Estado na vida econômica. Venezuela, Argentina e, de alguma forma, Bolívia e Equador integram esse grupo – e, obviamente, Cuba era seu epicentro histórico. A outra América Latina – México, Chile, Colômbia e Peru – está efetivando reformas estruturais que os países do primeiro grupo não fizeram. Nessa formação da América Latina de duas velocidades, o Brasil é uma espécie de Hamlet, que fica enredado no dilema do “ser ou não ser”. Do lado do “não ser”, muitos acham que essa visão aumenta a dependência da economia em relação aos Estados Unidos, e o Brasil não está pronto. O que há é um cabo de guerra entre duas forças que querem levar o Brasil para seu campo. Cuba, agora num momento de mais pragmatismo, terá nos EUA, e não no Brasil ou na Venezuela, sua principal referência geoeconômica. Do ponto de vista econômico, o perde-ganha é pequeno. Obviamente, Cuba voltará a gravitar em torno da influência econômica dos EUA. Da perspectiva diplomática, todas as iniciativas apoiadas pelo Brasil no sentido de criar polos de cooperação hemisférica sem a participação dos EUA perdem força.

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