Cuba é a grande ganhadora, mas Brasil também tem vantagens

Retomada de laços anunciada pelo presidente Obama ainda tem que passar pelo Congresso

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Retrato da pobreza. Turista estrangeira fotografa rua de Havana
ADALBERTO ROQUE
Retrato da pobreza. Turista estrangeira fotografa rua de Havana

O anúncio da reaproximação e do afrouxamento das restrições econômicas entre Estados Unidos e Cuba, feito pelos presidentes de ambos os países na última semana, sacudiu o mundo.  

Os senadores republicanos Lindsay Graham e John McCain se posicionaram contra a abertura. Eles a avaliaram como um “declínio nos valores norte-americanos”. Refugiados cubanos que moram em Miami, nos EUA, acusaram o presidente norte-americano de “conspiração” com o presidente cubano, Raúl Castro, e de “traição”.

De outro lado, ficou a população de Havana, que comemorou as novas regras. Em Belo Horizonte, mesmo concentrado para um jogo decisivo, o jogador de vôlei cubano Yadrian Escobar Silva celebrou a novidade. “Muito boa essa aproximação. Com o bloqueio econômico que os Estados Unidos impunham ao meu país, muitas coisas não eram possíveis. Agora, poderemos comprar coisas, por exemplo”, disse a O TEMPO.

A maior surpresa, talvez, foi o posicionamento de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. Ele, que em momentos anteriores havia chamado Obama de “grande chefe dos demônios”, marionete e um triste “refém” do imperialismo norte-americano, elogiou a postura do opositor. “Temos que reconhecer o gesto do presidente Barack Obama, um gesto de bravura historicamente necessário – talvez o mais importante passo de seu governo”, afirmou Maduro.

Apesar disso, no dia seguinte, o presidente Barack Obama assinou a lei que impõe sanções contra altos funcionários do governo de Maduro considerados responsáveis por violações dos direitos humanos nas manifestações do primeiro semestre no país latino-americano.

Nesta sexta-feira, Obama defendeu a reabertura, e empresas norte-americanas – como PepsiCo, Marriott e Caterpillar – já demonstraram interesse em introduzir seus produtos na ilha. Lá, o parlamento cubano ratificou por unanimidade, em sua sessão semestral, acordos de reconciliação com os Estados Unidos.

O fim do embargo comercial, porém, ainda depende do Congresso norte-americano aprovar e formular a nova política. Até lá, especialistas tentam imaginar quais serão os efeitos dessa mudança no cenário mundial.

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