Felinos e tendas de luxo

Em meio à paisagem semiárida, hotel com pinta de glamping oferece safáris para se apreciar os animais da região

iG Minas Gerais | Mari Campos |

Ao contrário da África, leopardos indianos não vivem em árvores, inexistentes ali
Mari Campos/Agência O Globo
Ao contrário da África, leopardos indianos não vivem em árvores, inexistentes ali

Propriedade mais recente do grupo hoteleiro indiano Suján Luxury, o Jawai fica às margens do rio homônimo e próximo à cidade de Bera, mesclando conforto e vida selvagem em abundância. Com pinta de glamping (camping com glamour), tem nove tendas espaçosas, equipadas com camas confortáveis, ar-condicionado e banheiro, que inclui chuveiro de alta pressão e pia dupla.

A decoração tem um quê de Bauhaus, meio anos 30, com muito preto, branco e metal nos móveis do designer Michael Aram, incluindo enormes imagens monocromáticas de leopardos na cabeceira das camas e um deque externo com sofá e mesa de trabalho com vista para a paisagem semiárida que rodeia o hotel. Para não dizer que a natureza ficava só do lado de fora, insistentes esquilos entravam e saíam da minha tenda. As áreas comuns incluem piscina, biblioteca, sala de estar, spa, minibutique e tenda-restaurantes.

Safári

O casal de proprietários, Singh e Anjali, apaixonado por fotografia, fez questão de equipar os jipes de safári com binóculos Carl Zeiss e câmeras reflex. Têm a ideia de criar ali um programa de pesquisa de leopardos.

As chances de ver de fato os felinos no local, dizem os estudiosos, são talvez as mais altas de toda Índia – pelo menos 75% na opinião dos proprietários. Nos meus três dias ali, testemunhei de perto, e em ocasiões diferentes, as andanças de um macho e uma fêmea com dois filhotes – de maneira mais próxima, longa e calma do que em todos os meus safáris sul-africanos somados.

Além dos disputados e esperados avistamentos de leopardos, os safáris – realiza-se dois diários (antes do amanhecer e nos finais de tarde) – são sempre pontuados por uma profusão de pavões e pássaros para nenhum fã de birdwatching colocar defeito. Ocasionalmente aparecem flamingos, jacarés, antílopes e macacos. Antes ou depois dos safáris, os guias são abertos a esticar o passeio e visitar os vilarejos rabari ou ver de perto Jawai Bandh, um dos maiores reservatórios do Rajastão ocidental, famoso por seus flamingos.

Leopardos são guardiões dos templos

Amistosos. Ali, humanos e animais parecem coexistir em harmonia. Os rabari, uma das mais antigas tribos nômades da Índia, circulam desenvoltos, altos, magros e com seus indefectíveis trajes brancos e turbantes vermelhos, com rebanhos de ovelhas e cabras pelos campos. Dizem não temer a presença dos leopardos: “Há mais de cem anos nenhum homem é atacado por aqui”, disseram-me. 

Sagrados. Para os sacerdotes das redondezas, os leopardos são considerados guardiões sagrados dos templos mais antigos. E a verdade é que eles parecem mesmo grandes, saudáveis e condicionados à presença humana.

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