Fortaleza, jardins e mercado

Cidade de casinhas índigo e sinuosas vielas, reserva ainda a fortaleza Mehrangarh, vista de quase todos os cantos

iG Minas Gerais | Mari Campos |

Do alto da cidade, visitante é brindado com uma espetacular vista da fortaleza e das casasinhas azuis de Jodhpur
Mari Campos/Agência O Globo
Do alto da cidade, visitante é brindado com uma espetacular vista da fortaleza e das casasinhas azuis de Jodhpur

As empoeiradas ruas da parte nova de Jodhpur podem ser largas e cheias de escritórios e lojas, mas ainda têm jeito de cidade dos velhos tempos da Índia, com direito ao caos comercial tão sedutor ao turista. Descer as sinuosas vielas da cidade antiga amuralhada, tomada de casas tingidas de azul aos pés da fortaleza Mehrangarh (seu símbolo e atração onipresente) em direção à agitação ininterrupta do mercado que se esparrama na área da torre do relógio é dos programas mais autênticos que se pode fazer em uma grande cidade indiana.

Ali, escassas em turistas, as ruas estreitas e cortadas vira e mexe por tuk-tuks e motocicletas que se esgueiram entre transeuntes e vacas revelam moradores tímidos e genuinamente interessados na presença do estrangeiro. Ninguém tentou me vender nada, mas diversos foram os convites para xícaras fumegantes de chá com leite, enquanto perguntavam sobre mim e sobre o Brasil. Era como se eu, e não as adoráveis casinhas de paredes azuladas, fosse a atração principal.

Jodhpur ainda guarda um encanto que outras cidades indianas já perderam. Um jeito de vila, na simplicidade das pessoas e na amabilidade com que tratam o turista. Até nas lojas e barracas do frenético mercado eu encontrei mais sorrisos e simpatia que em qualquer outro lugar durante a viagem pelo país.

Mehrangarh

A fortaleza Mehrangarh (mehrangarh.org), também chamada de Cidadela do Sol e principal atração da cidade, instalada no alto de um penhasco, guarda histórias do clã Rathor, que fundou a dinastia dos marajás que sobrevive ali até hoje. Especialistas defendem que se trata do mais bem preservado monumento indiano e a maior fortaleza do gênero.

De longe, pode ser vista de quase todo canto da cidade. A fortaleza está sob controle da família Rathore desde o século XV (foi fundada em 1459 por Rao Jodha), que vez ou outra ainda a usa (como na festa de casamento de um dos príncipes em 2010). E, mesmo independente desde 1947, algumas famílias de marajás na Índia ainda são símbolo de autoridade local. Educado em Oxford, Gaj Singh II, o marajá de Jodhpur, virou diplomata, mas suas fotos ainda adornam as paredes de muitos lares.

Do lado de fora, suas paredes de arenito avermelhado, rodeadas constantemente por águias, parecem pegar fogo sob o sol. Lá dentro, jardins, balcões e cômodos – que incluem pequenos museus, de armamentos a riquixás, com destaque para preciosos quadros que retratam os pilares da tradição indiana – são um belo passeio para pelo menos meio dia.

Quem faz a visita por conta própria conta com audioguias em inglês, francês e espanhol. Em meio à beleza e à precisão arquitetônica, vale reparar nos buracos de balas, inclusive de canhão, que marcam como cicatrizes pontos do forte.

Jardim

 Antes de sair, faça uma paradinha obrigatória no Chokelao Bagh, o adorável e perfumado jardim, que, dizem, reproduz fielmente o que teria sido o local no século XVIII. À noite, o restaurante serve cozinha do Rajastão em jantares à luz de velas enquanto a cidade se ilumina. De dia, há tirolesa: conjunto de seis percursos, feito em uma hora, em grupos de no máximo 12 pessoas.

O Mehrangarh também serve de palco para festivais de música como o World Sufi Spirit Festival (worldsufispiritfestival.org), que acontece em fevereiro.

Rao Jodha

Parque. Aos pés da fortaleza fica o parque Rao Jodha Desert Rock, aberto em 2006 para restaurar o ecossistema natural de uma área desértica de 70 hectares, hoje reabilitada.

 

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