No olho do furacão

Com foco no protagonista, “Império”, novela assinada por Aguinaldo Silva, perde força em núcleos paralelos

iG Minas Gerais | caroline borges |

Nova chance. Com Marjorie Estiano como a vilã Cora, autor tem uma nova oportunidade na trama
Globo
Nova chance. Com Marjorie Estiano como a vilã Cora, autor tem uma nova oportunidade na trama

A trama de “Império” conta com quase 50 personagens. Ainda assim, parece que a novela só acorda quando o protagonista José Alfredo, papel de Alexandre Nero, está em cena. Há quase cinco meses no ar, o folhetim de Aguinaldo Silva marca um looping incessante sobre a história do rabugento comendador. Na pele de um personagem excêntrico, Nero, através de uma atuação segura e certeira, apresenta um papel com defeitos e qualidades, tornando o sério homem de preto bastante plausível para o público. No entanto, quem acaba perdendo nessa estratégia são os núcleos secundários. Outras tramas, que poderiam render mais e melhor, foram deixadas de lado. Quando o foco narrativo não está em José Alfredo, o folhetim é maçante e arrastado, com histórias que não avançam e nem cativam.

Um dos exemplos que mais salta aos olhos é o de Cora, inicialmente interpretada por Drica Moraes. Prometida como a grande vilã, a personagem virou até um alívio cômico através do papel da tia solteirona e amargurada. Ainda assim, Aguinaldo parece ter ganhado sua segunda chance para salvar o papel do fiasco absoluto. Com a saída de Drica para cuidar de problemas de saúde, o autor resgatou Marjorie Estiano, que interpretou a vilã na primeira fase da novela. Assumindo Cora literalmente de um dia para o outro, a atriz soube conduzir os dramas de uma personagem 20 anos mais velha de forma forte e simples. A chegada de Marjorie significou o início de uma nova fonte de trama para sustentar o folhetim até depois do Carnaval de 2015, quando “Império” chega ao fim.

O ano atípico de 2014, inclusive, acentuou o marasmo da novela das nove. Aguinaldo precisou administrar seu folhetim em um período de audiência instável, como as eleições e o horário de verão. Por isso mesmo, optou por segurar diversas tramas para épocas menos turbulentas e incertas. Apesar de 2014 estar chegando ao fim, o autor contará com mais duas semanas de prova de fogo com as festas de fim de ano. Não é à toa que o novelista guarda seus melhores momentos na manga para segurar ao máximo o telespectador. E, para driblar os entraves naturais do cronograma, Aguinaldo pretende ressuscitar o comendador na noite de Natal, no dia 25, e agitar a história após todo o estardalhaço de sua falsa morte.

Mesmo com suas nuances, até aqui, “Império” cumpre bem o seu papel de alavancar o horário nobre. Nos últimos dois anos, a faixa sofria com a fraca repercussão de seus folhetins – a esquecível “Salve Jorge”, a dramática “Amor à Vida” e a plácida “Em Família”. Com pouco mais de 120 capítulos, a trama marca audiência média de 31 pontos e faz com que a emissora respire aliviada momentaneamente.

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