Ações da Usiminas dobram de preço com briga de sócios

A possível saída de um deles pode gerar oferta de papéis

iG Minas Gerais |

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Mercado espera oferta pública de ações da Usiminas e valoriza papéis da siderúrgica
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Oferta. Mercado espera oferta pública de ações da Usiminas e valoriza papéis da siderúrgica

Rio de Janeiro. Enfrentando uma dura disputa societária pelo seu controle, a Usiminas viu o valor de suas ações ordinárias (ON, com direito a voto) praticamente dobrar neste mês na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A forte valorização, segundo analistas de mercado, deve-se a especulações sobre a saída de um dos controladores da maior produtora de aços planos do país, o que levaria a uma oferta obrigatória de compra das ações dos minoritários.  

A cotação dos papéis ON subiu de R$ 6,35 em 1º de dezembro para R$ 12,50 nesta quinta, uma alta de 97%. Nesta sexta, as ações subiram ainda mais, 3,56%. Nesse mesmo período, as ações preferenciais (PN, sem voto) avançaram 2,85%, a R$ 5,05. Os papéis PN não dão direito a voto aos acionistas e – o que é mais importante no caso da Usiminas – não são cobertos pelo chamado “tag along”, regra que beneficiaria acionistas minoritários em caso de mudança no controle da empresa. Pelo tag along, alguém que adquirir uma fatia no bloco de controle é obrigado a fazer oferta de compra de 80% do valor pago por cada papel aos detentores de outras ações ON.

Com isso, os investidores correm para esses papéis, na expectativa de que eles proporcionem uma oferta atraente no futuro. “Grande parte dessa alta acontece por especulações que circulam no mercado, segundo as quais a CSN estaria interessada em adquirir a participação da Ternium na Usiminas, o que seria um gatilho para o tag along”, explicou Lenon Borges, analista da corretora Ativa.

A ítalo-argentina Ternium divide o controle da Usiminas com a japonesa Nippon Steel & Sumitomo. Elas travam uma disputa desde setembro, quando o conselho de administração da Usiminas destituiu o então diretor-presidente, Julián Eguren, e outros dois diretores, indicados pela Ternium, após uma auditoria interna apontar irregularidades. Depois disso, a Ternium comprou a participação de 10,4% da Previ. Com isso, elevou sua fatia de 27,6% para 38%, contra 29,45% dos japoneses, o que acirrou a briga.

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