Ano pródigo e barulhento

iG Minas Gerais |

Nas duas últimas colunas de 2014, esta e a da semana que vem, me proponho fazer uma análise do ano esportivo pelo Brasil e pelo mundo, mas muito mais pelo Brasil e, óbvio, detidamente por Minas Gerais. Sem a menor sombra de dúvida, a temporada que se encerra sempre será lembrada no futebol nacional como o Ano do Futebol Mineiro, com letra maiúscula mesmo. O que Atlético e Cruzeiro fizeram, os dois bem de acordo com suas respectivas escolas, foi sensacional. A Raposa, fria, precisa, regular, sem sustos e com um futebol cirúrgico, mostrou que o Campeonato Brasileiro se ganha com muita coisa, mas o planejamento deve ser o principal atributo para quem pleiteia tal glória, ainda mais duas vezes seguidas. O Galo, não menos espetacular, foi na raça, no embalo da Massa, na vontade, mas com um time também muito bom e que não desiste nunca de nada. Claro que os dirigentes das duas agremiações estão dizendo que os grandes elencos serão mantidos e, quando não possível, repostos com atletas que manterão o nível de 2014. Acho difícil repor um Diego Tardelli, um Lucas Silva, um Ricardo Goulart, um Everton Ribeiro, um Marcos Rocha, um Guilherme. Não que eles sejam craques nem que todos vão sair, sempre lembrando o meu colega Tostão, que vive defendendo que esse adjetivo não seja usado em vão, como acontece muito hoje em dia. São muitos bons jogadores, que até poderiam ser repostos tecnicamente, mas o entrosamento dos times e o encaixe das equipes ficariam muito prejudicados, ainda mais em uma temporada apertada em 2015 por causa da Copa América, no Chile, como a deste ano, devido à Copa do Mundo. Em fevereiro já tem Mineiro e Libertadores, prioridade total para os dois grandes do Estado, como deve ser. Quem deve estar torcendo para que Cruzeiro e Atlético fiquem pelo caminho, e o mais rápido possível, são os cães, os doentes nos hospitais, os velinhos nos asilos e quem preza o respeito ao direito de descanso dos que merecem, sem esquecer dos médicos nos plantões do João XXIII, que precisam amenizar o sofrimento dos inadvertidos e ignorantes (de ignorar, viu) que colocam sua integridade física em risco ao usar fogos de artifício e, muitas vezes, explodir dedos, mãos, braços, tímpanos e a paciência de quem trabalha e precisa descansar, pois tem mais o que fazer do que infernizar o vizinho que torce para o rival e também os que não torcem. Rivalidade, sim, falta de educação, não, mas estamos no país dos ladrões, de dinheiro e de esperança de que o nível educacional da grande maioria dos brasileiros em um futuro próximo melhore minimamente. Mas se sobra dinheiro na Petrobras, falta para pagar melhor os professores. Acredito que os rivais da capital mineira farão um bom ano em 2015, mas acho difícil que possam repetir o 2014 histórico, com os dois nas pontas dos cascos e melhores do Brasil. Ao América, resta se sentir injustiçado pelo STJD, como realmente foi, mas a escalação irregular de um jogador na Série B, que lhe custou seis pontos, ficando na Segundona, deve servir de lição. Agora, resta à diretoria analisar bem se vale entrar na Justiça Comum, já que o Icasa não foi punido por fazer o mesmo. Mas o América já foi e sabe o quanto isso é prejudicial. Questão delicada e de foro “íntimo” do clube, que não pode esquecer de muita gente que pode sofrer com novas sanções ao Coelho. Às vezes é preciso dar um passo para trás para se equilibrar e ter mais solidez para dar dois a frente.

Será? Se há times propensos a protagonizar zebras em duelos contra adversários nitidamente superiores, eles são os argentinos. O Real Madrid deve ser o campeão mundial de clubes da Fifa, hoje, contra o San Lorenzo, equipe do papa Francisco, mas o time e o papa estão demais, muito mais o papa. Jamais pensei que faria isso, mas vou torcer pelos argentinos, pois Francisco, um gênio da humanidade, merece ser feliz.

Vôlei. O Ministério Público Federal vai analisar ou já está analisando o relatório da Controladoria Geral da União (CGU) sobre os desvios de dinheiro público na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) na administração de Ary Graça Filho, que, atualmente, não sei como ainda, preside a Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Ele vai esperar o detalhamento do que aconteceu para renunciar ao cargo?

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