Cientistas usam Harry Potter para mapear atividade cerebral

Estudo pode ajudar em casos de distúrbios de leitura e de pessoas que sofreram AVC

iG Minas Gerais |

Washington, EUA. No primeiro livro da saga que conquistou o mundo, Harry Potter joga quadribol com sua vassoura Nimbus 2000, enfrenta o rival Draco Malfoy e se depara com um cão de três cabeças em sua escola de magia. Para milhões de leitores, a narrativa é apenas uma forma de entretenimento, mas as aventuras do jovem bruxo são levadas muito a sério por cientistas que estudam a atividade cerebral em humanos.  

Isso porque a leitura de partes do livro “Harry Potter e a Pedra Filosofal” ativa algumas das regiões do cérebro que também são acionadas pelos seres humanos ao compreender ações e intenções reais. Ao estudar o comportamento dos neurônios, os cientistas conseguiram mapear como esse órgão humano opera em condições saudáveis à medida que as pessoas acompanham o desenrolar da narrativa.

A equipe de cientistas da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, foi surpreendida ao constatar que o experimento realmente funcionava. Isso porque a maioria dos neurocientistas até então tem se esforçado muito para rastrear os modos com que o cérebro processa uma palavra ou uma frase, procurando por pistas sobre o desenvolvimento da linguagem ou sobre a dislexia ao focar um aspecto da leitura por vez.

Mas ler uma história faz com que múltiplos sistemas funcionem de uma vez só: o que reconhece as letras que formam a palavra, o entendimento das definições e da gramática e a compreensão dos relacionamentos entre as personagens e as mudanças surpreendentes no enredo.

A pesquisa traz implicações para o estudo de distúrbios de leitura e para pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC).

Inovação. Conseguir medir toda a atividade cerebral durante a leitura é algo notável, afirma a neurocientista Guinevere Eden, da Universidade de Georgetown, que ajudou a inovar os estudos sobre a dislexia durante sua carreira, mas não esteve envolvida neste estudo. “Isso oferece um modo mais rico de pensar a respeito da leitura cerebral”, disse Eden.

A equipe de pesquisadores analisou os resultados dos exames e criou um modelo computadorizado da atividade cerebral relacionado a distintos processos de leitura. “Pela primeira vez na história, podemos fazer coisas como colocar você para ler um livro e assistir onde a atividade dos neurônios está acontecendo no seu cérebro”, afirma o diretor do departamento de Aprendizado com Máquinas da Carnegie Mellon, Tom Mitchell.

O início “Harry Potter e a Pedra Filosofal” é o primeiro livro dentre sete da série Harry Potter, escrita por J. K. Rowling. O livro foi publicado inicialmente em 1997, em Londres, com sua primeira edição contando com apenas 500 exemplares.

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